cessando-se
Derivado do verbo 'cessar' (latim 'cessare') + pronome oblíquo 'se'.
Origem
Do latim 'cessare', que significa parar, deixar de fazer, suspender. O gerúndio '-ndo' e a ênclise do pronome 'se' são desenvolvimentos do latim vulgar para o português.
Mudanças de sentido
O sentido original de 'cessare' era simplesmente parar ou deixar de ocorrer.
O sentido se manteve, mas a construção 'cessando-se' adquiriu um uso mais formal em contextos específicos, como em documentos legais ou textos religiosos, indicando a interrupção de um estado ou ação.
O sentido de 'parando-se' ou 'interrompendo-se' é mantido. A principal mudança é a frequência de uso, com a forma 'cessando-se' sendo mais restrita a registros formais e menos comum na fala cotidiana.
A preferência no português brasileiro moderno, especialmente na fala, tende a ser por construções como 'parando', 'interrompendo' ou, em alguns casos, a próclise 'se cessando' em contextos específicos, embora a ênclise no gerúndio seja gramaticalmente válida em certos registros.
Primeiro registro
Registros em documentos legais e religiosos medievais em português arcaico, onde a estrutura gramatical com ênclise era mais comum. Exemplos podem ser encontrados em crônicas e textos de lei da época.
Momentos culturais
Presente em obras literárias de autores como Camões, em passagens que exigiam um registro formal e poético, onde a estrutura ênclítica era parte do estilo da época.
Continua a ser utilizada em documentos formais, teses, dissertações e artigos científicos, onde a precisão gramatical e a formalidade são essenciais.
Comparações culturais
Inglês: A construção equivalente seria 'ceasing', mas a adição do pronome reflexivo 'itself' ('ceasing itself') é rara e soaria artificial. O inglês prefere 'stopping' ou 'ending'. Espanhol: O equivalente seria 'cesándose', que é uma construção perfeitamente válida e comum em espanhol, tanto na fala quanto na escrita formal e informal, mantendo a ênclise do pronome após o gerúndio. Francês: 'cessant' (gerúndio) com pronome reflexivo seria 'se cessant', mas a estrutura com ênclise após o gerúndio não é comum. O francês usa mais frequentemente 'en cessant' ou outras construções.
Relevância atual
No português brasileiro contemporâneo, 'cessando-se' é uma forma gramaticalmente correta, mas de uso restrito a contextos formais, acadêmicos e jurídicos. Sua relevância reside na manutenção da norma culta e na precisão terminológica em tais domínios, contrastando com a informalidade da linguagem falada e digital.
Origem Latina e Formação do Português
Século XIII - O verbo 'cessar' tem origem no latim 'cessare', que significa parar, deixar de fazer, suspender. A formação do gerúndio '-ndo' e a adição do pronome oblíquo átono 'se' em ênclise (após o verbo) são características da evolução do latim vulgar para o português arcaico.
Uso Arcaico e Medieval
Idade Média - A construção 'cessando-se' era comum em textos jurídicos e religiosos, indicando a interrupção de uma ação ou estado, muitas vezes com conotação de renúncia ou fim de um ciclo. Exemplo: 'a oração, cessando-se o jejum'.
Evolução para o Português Moderno
Séculos XVI-XIX - Com a consolidação do português moderno, a ênclise do pronome 'se' após o gerúndio tornou-se menos frequente na fala culta, sendo substituída pela próclise ('se cessando') ou por outras construções. No entanto, a forma 'cessando-se' permaneceu em registros mais formais e literários.
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XX - Atualidade - No português brasileiro, 'cessando-se' é predominantemente encontrado em textos formais, jurídicos, acadêmicos e literários, mantendo o sentido de 'parando-se', 'interrompendo-se'. É uma construção gramaticalmente correta, mas menos usual na linguagem coloquial.
Derivado do verbo 'cessar' (latim 'cessare') + pronome oblíquo 'se'.