cheirar
Do latim 'sugere', com alteração para 'cheirar'.
Origem
Do latim vulgar *exufflare, derivado de *sufflare (soprar), com o prefixo *ex- (para fora). A raiz latina remete à ação de expelir ar, que se conecta à percepção de odores.
Mudanças de sentido
Sentido primário: sentir odor, exalar odor. Ex: 'A flor cheira bem.'
Desenvolvimento de sentidos figurados, especialmente em Portugal, associados a 'ter um cheiro' (bom ou mau) de forma mais genérica.
No Brasil, o verbo começa a ser usado coloquialmente com o sentido de 'desconfiar', 'ter indícios de algo', 'parecer suspeito'. Ex: 'Essa história cheira mal.'
O uso coloquial se consolida, coexistindo com o sentido formal. A expressão 'cheirar a' é comum para indicar semelhança ou indício. Ex: 'Isso cheira a golpe.'
Primeiro registro
Registros em textos medievais portugueses, com o sentido de sentir ou exalar odor.
Momentos culturais
A palavra aparece em obras literárias e musicais brasileiras, tanto no sentido literal quanto no figurado, refletindo o uso coloquial em ascensão.
Conflitos sociais
O uso coloquial de 'cheirar' com sentido de suspeita ou desconfiança pode gerar mal-entendidos em contextos formais, contrastando com o uso dicionarizado e formal do verbo.
Vida emocional
A palavra carrega uma dualidade: o sentido neutro e sensorial de 'cheirar' (flores, comida) e o sentido carregado de desconfiança e pressentimento negativo ('cheirar a problema').
Vida digital
O uso de 'cheirar' em expressões como 'cheira a golpe' ou 'cheira a fake news' é comum em redes sociais e fóruns online, indicando desconfiança rápida e informal.
Representações
O verbo 'cheirar' e suas expressões figuradas aparecem em diálogos de novelas, filmes e séries brasileiras para denotar suspeitas de personagens ou situações.
Comparações culturais
Inglês: 'to smell' (sentido literal), 'to smell fishy' (sentido figurado de suspeita). Espanhol: 'oler' (sentido literal), 'oler a chamusquina' ou 'oler a podrido' (sentido figurado de suspeita). O português brasileiro 'cheirar' com sentido de suspeita é bastante idiomático e direto.
Relevância atual
O verbo 'cheirar' mantém sua relevância tanto no uso formal e dicionarizado quanto no coloquial, sendo uma palavra comum no vocabulário brasileiro para descrever percepções olfativas e, figurativamente, para expressar desconfiança ou pressentimento.
Origem Etimológica
Século XIV — do latim vulgar *exufflare, derivado de *sufflare (soprar), com o prefixo *ex- (para fora). Relacionado à ideia de exalar ou expelir ar, com conotação olfativa.
Entrada e Evolução no Português
Século XV — A palavra 'cheirar' entra no português arcaico, mantendo o sentido primário de sentir odor. No português europeu, o sentido de 'ter um odor' (bom ou mau) se consolida. No Brasil, o verbo adquire nuances e usos mais amplos.
Uso Contemporâneo e Ressignificações
Século XX e XXI — 'Cheirar' se mantém como verbo formal para o ato de sentir odores, mas também se expande para significados coloquiais e figurados, como 'desconfiar', 'ter indícios de' ou 'ser suspeito'.
Do latim 'sugere', com alteração para 'cheirar'.