choró
Origem controversa, possivelmente do tupi 'xoro' (choro) ou do quimbundo 'xoro' (lamento).↗ fonte
Origem
Derivado do verbo 'chorar'. O sufixo '-ó' pode ter origem indígena (como em 'cajá', 'maracujá') ou ser onomatopeico, intensificando a ideia de choro ou lamento. A forma 'choró' é uma variação popular e regional de 'choro'.
Mudanças de sentido
Principalmente como substantivo para 'choro', 'lamento', 'pranto'.
Início da associação com um gênero musical e de dança popular brasileira, especialmente no Rio de Janeiro. → ver detalhes
A transição de um lamento vocal para uma expressão musical instrumental e dançante marca uma ressignificação cultural profunda. O 'choró' musical é melancólico, mas também festivo e virtuoso, contrastando com a tristeza pura do pranto.
Mantém o sentido de pranto em contextos informais e regionais, mas a acepção musical e de dança é a mais proeminente e formalmente reconhecida. A palavra 'choró' é considerada uma variação dicionarizada de 'choro'.
Primeiro registro
Registros de uso da palavra 'choró' com o sentido de pranto em documentos coloniais e literatura da época, indicando sua presença na fala popular. O registro específico do gênero musical é posterior, consolidando-se no século XIX.
Momentos culturais
Emergência do 'choró' como gênero musical e de dança no Rio de Janeiro, influenciado por ritmos europeus (polca, valsa) e africanos. A dança de salão populariza o termo.
A 'Era de Ouro' do choro, com gravações e popularização massiva através do rádio. Compositores como Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga e Jacob do Bandolim elevam o gênero a um patamar artístico sofisticado.
O choro é reconhecido como patrimônio cultural imaterial brasileiro. Festivais, rodas de choro e a preservação de seu repertório mantêm a palavra viva e relevante na cultura musical.
Vida emocional
Associado à tristeza, dor, perda, melancolia.
No contexto musical, 'choró' evoca uma melancolia doce, saudade, nostalgia, mas também alegria, celebração e virtuosismo. É uma emoção complexa, agridoce.
Comparações culturais
Inglês: A palavra 'cry' (chorar) e 'lament' (lamento) são equivalentes diretos para o sentido original. O gênero musical 'jazz' ou 'blues' compartilham a expressividade melancólica e improvisacional, mas com origens e instrumentações distintas. Espanhol: 'Llorar' (chorar) e 'lamento' (lamento). O gênero musical 'tango' ou 'bolero' podem evocar sentimentos semelhantes de paixão e melancolia, mas são estilos distintos. Outros idiomas: Em francês, 'pleurer' (chorar) e 'lamento'. Em italiano, 'piangere' (chorar) e 'lamento'.
Relevância atual
A palavra 'choró' é fundamental para a identidade da música popular brasileira. Sua dualidade de sentido – o pranto e a celebração musical – reflete a complexidade cultural do Brasil. É um termo vivo em rodas de choro, escolas de música e na memória afetiva de muitos brasileiros.
Origem e Entrada no Português
Séculos XVI-XVII — Derivado do verbo 'chorar', com o sufixo '-ó' possivelmente de origem indígena ou onomatopeica, indicando intensidade ou ação continuada. A palavra 'choró' como substantivo para lamento e pranto é antiga na língua portuguesa.
Desenvolvimento Cultural e Musical
Século XIX — O termo 'choró' começa a ser associado a um gênero musical e de dança popular no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro. Essa acepção se consolida e se diferencia do sentido original de pranto.
Consolidação do Gênero Musical
Anos 1920-1950 — O 'choró' (ou choro) como gênero musical atinge seu auge, com compositores como Pixinguinha e Jacob do Bandolim. A palavra se torna sinônimo de um estilo musical específico, caracterizado pela melodia e improvisação.
Uso Contemporâneo
Atualidade — 'Choró' coexiste com 'choro', mantendo o sentido de pranto em contextos informais e regionais, mas predominantemente referindo-se ao gênero musical e à dança. A palavra é formalmente reconhecida e dicionarizada em ambas as acepções.
Origem controversa, possivelmente do tupi 'xoro' (choro) ou do quimbundo 'xoro' (lamento).