começar-se
Do latim 'contingere', no sentido de tocar, alcançar, acontecer. O prefixo 'com-' intensifica.
Origem
Deriva do latim vulgar *cominitiare, que significa 'iniciar', 'principiar'. O prefixo *com- (junto, com) intensifica a ideia de início, e *initiare é a forma verbal de 'início'.
Mudanças de sentido
Utilizado como forma reflexiva ('ele se começou a vestir') ou passiva sintética ('a obra começou-se em 1500'), indicando o início de uma ação de forma mais enfática ou com um sentido de 'dar-se início a algo'.
O uso da forma pronominal 'começar-se' declina significativamente. A construção não pronominal 'começar' (ex: 'ele começou a vestir', 'a obra começou em 1500') torna-se a norma e a forma preferencial na maioria dos contextos.
A tendência geral da língua portuguesa, especialmente no Brasil, é a simplificação das construções pronominais, preferindo a forma não pronominal ou a voz passiva analítica. 'Começar-se' soa arcaico e menos natural para o falante contemporâneo.
Primeiro registro
Registros em textos medievais portugueses, como as Cantigas de Santa Maria, que já apresentavam formas verbais pronominais comuns na época.
Momentos culturais
Presente em crônicas históricas, textos religiosos e literatura, como em obras de Fernão Lopes ou em traduções de textos clássicos, onde a construção pronominal era uma opção estilística válida.
O uso de 'começar-se' é praticamente inexistente na literatura e mídia contemporâneas, exceto em obras que intencionalmente buscam recriar um estilo arcaico ou em contextos de estudo da língua portuguesa antiga.
Vida emocional
Neutro, como uma forma verbal comum para expressar o início de ações.
Soa arcaico, formal em excesso, ou até mesmo como um erro gramatical para muitos falantes brasileiros. Não carrega um peso emocional específico, mas sim uma conotação de 'fora de uso'.
Comparações culturais
Inglês: A construção pronominal reflexiva ou passiva com 'começar-se' não tem um equivalente direto e comum. O inglês usa 'to begin', 'to start' (intransitivo) ou 'to begin/start something' (transitivo). Construções como 'it began to rain' (choveu) ou 'the show began' (o show começou) são mais próximas do uso não pronominal. Espanhol: O espanhol utiliza o verbo reflexivo 'comenzarse' (ex: 'la película comenzó', 'se comenzó a discutir') de forma muito mais produtiva e comum do que o português 'começar-se'. É um uso similar ao do português arcaico, mas que se manteve na língua moderna. Francês: O francês usa 'se commencer' em alguns contextos, mas 'commencer' (intransitivo ou transitivo) é mais frequente. Alemão: O alemão usa 'beginnen' ou 'anfangen', geralmente sem construções reflexivas diretas para o sentido de 'começar'.
Relevância atual
A forma 'começar-se' tem relevância quase nula no português brasileiro contemporâneo, exceto em estudos linguísticos sobre arcaísmos, em textos literários com intenção de evocar o passado, ou em falas de regiões com forte preservação de formas antigas. A forma 'começar' é a única amplamente utilizada e compreendida.
Origem Latina e Primeiros Usos
Século XIII - O verbo 'começar' deriva do latim vulgar *cominitiare, que por sua vez vem de *initiare (iniciar), com o prefixo *com- (junto, com). A forma pronominal 'começar-se' surge como uma construção reflexiva ou passiva sintética, comum em latim e mantida no português arcaico.
Evolução no Português Arcaico e Clássico
Séculos XIV a XVI - A forma 'começar-se' é utilizada com frequência, denotando o início de uma ação de forma mais enfática ou com um sentido de 'dar-se início a algo'. É comum em textos literários e religiosos da época.
Transformação e Declínio do Uso
Séculos XVII a XIX - O uso de 'começar-se' começa a declinar gradualmente, sendo substituído pela forma não pronominal 'começar' ou por sinônimos como 'iniciar', 'principiar'. A construção pronominal torna-se menos produtiva e mais arcaizante.
Uso Contemporâneo e Ressignificação
Século XX e Atualidade - 'Começar-se' é raramente utilizado na norma culta e no discurso cotidiano no Brasil, soando arcaico ou até mesmo incorreto para muitos falantes. Pode aparecer em contextos literários que buscam um tom antigo ou em falas de regiões com forte preservação de arcaísmos. A forma não pronominal 'começar' é a predominante.
Do latim 'contingere', no sentido de tocar, alcançar, acontecer. O prefixo 'com-' intensifica.