comecam-se

Do latim 'cominitiare', iniciar.

Origem

Latim

O verbo 'começar' tem origem no latim 'cominitiare', que significa iniciar, principiar. A construção 'começam-se' é uma forma verbal com pronome oblíquo em ênclise, característica da gramática histórica do português.

Mudanças de sentido

Latim a Português Moderno

O sentido do verbo 'começar' (iniciar, dar princípio) permaneceu estável. A mudança reside na preferência gramatical pela posição do pronome oblíquo ('se'), que evoluiu de uma maior frequência da ênclise ('começam-se') para uma maior frequência da próclise ('se começam') na fala e escrita informal brasileira.

A forma 'começam-se' não carrega um sentido semântico diferente do verbo 'começar', mas sua estrutura gramatical (ênclise) evoca um registro mais formal ou literário no português brasileiro contemporâneo, em contraste com a informalidade da próclise ('se começam').

Primeiro registro

Idade Média

Registros de textos medievais em português, como as cantigas galego-portuguesas e crônicas, já apresentam o uso da ênclise, indicando que a forma 'começam-se' já estava em uso.

Momentos culturais

Século XIX - Literatura Clássica

A forma 'começam-se' era comum em obras literárias de autores como Machado de Assis, que utilizavam uma linguagem mais formal e alinhada com a norma culta da época.

Século XX - Meio Acadêmico e Formal

A ênclise em 'começam-se' continuou a ser preferida em textos acadêmicos, jurídicos e em discursos formais, mantendo sua associação com a norma culta.

Comparações culturais

Inglês: A estrutura de ênclise com pronomes oblíquos não existe no inglês moderno. A construção equivalente seria 'they begin' ou, em contextos específicos, 'they start'. Espanhol: O espanhol também utiliza a ênclise em algumas situações, como em 'comienzan', mas a colocação pronominal é mais flexível e a próclise ('se comienzan') é muito comum e frequentemente preferida em muitos contextos, similar à tendência brasileira. Francês: O francês possui a ênclise em certas formas verbais, mas a colocação pronominal é regida por regras específicas e a forma 'ils commencent' (sem pronome reflexivo explícito neste caso) é a mais direta.

Relevância atual

Atualidade

No português brasileiro contemporâneo, 'começam-se' é uma forma gramaticalmente correta, mas sua frequência de uso na comunicação oral e informal é baixa. Sua relevância reside em seu papel como marcador de formalidade, estilo literário e adequação a registros linguísticos mais cultos e tradicionais. É uma forma que evoca um certo prestígio linguístico e é encontrada em contextos onde a precisão e a elegância da linguagem são valorizadas.

Origem Latina e Formação

Século XIII - O verbo 'começar' deriva do latim 'cominitiare', que significa iniciar, principiar. A forma 'começam-se' é uma construção gramatical que se estabelece com a evolução do português, refletindo a ênclise (pronome oblíquo posposto ao verbo) que era comum na língua antiga e medieval.

Uso Medieval e Moderno

Idade Média a Século XIX - A ênclise em 'começam-se' era a norma gramatical em muitos contextos, especialmente em início de frase ou após vírgula. A forma era amplamente utilizada na literatura e na fala culta. Com a evolução gramatical do português, especialmente a partir do século XVIII e consolidada no XIX, a próclise (pronome antes do verbo) tornou-se mais frequente em determinados contextos, mas a ênclise em 'começam-se' permaneceu em uso, especialmente em contextos mais formais ou literários.

Uso Contemporâneo no Brasil

Século XX - Atualidade - No português brasileiro, a ênclise em 'começam-se' é considerada mais formal e, por vezes, arcaica, sendo menos comum na fala cotidiana, que tende a preferir a próclise ('se começam'). No entanto, a forma 'começam-se' ainda é encontrada em textos formais, literários, jornalísticos e em contextos que buscam um registro mais polido ou clássico da língua. Sua presença é um marcador de estilo e formalidade.

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Do latim 'cominitiare', iniciar.

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