comprazer-se-iam
Forma verbal conjugada do verbo 'comprazer-se' (latim 'complacere').
Origem
Deriva do latim 'complacere', significando 'agradar completamente', 'dar muito prazer'. O verbo 'comprazer' entrou no português através do latim vulgar.
Mudanças de sentido
O sentido de 'sentir prazer', 'deleitar-se', 'satisfazer-se' era mantido. A forma 'comprazer-se-iam' era gramaticalmente correta e utilizada para expressar uma ação hipotética ou condicional no passado para um grupo.
A estrutura enclítica (verbo + pronomes) era a norma em muitos contextos, especialmente após pausas ou no início de orações. A conjugação no futuro do pretérito (condicional) indicava uma ação que seria prazerosa sob certas condições não realizadas ou hipotéticas.
A forma 'comprazer-se-iam' tornou-se obsoleta. O sentido de 'sentir prazer' ou 'deleitar-se' é expresso por outras construções verbais e pronominais, como 'eles se compraziam' (pretérito imperfeito do indicativo, mais comum para expressar hábitos ou ações contínuas no passado) ou 'eles se comprazereiam' (futuro do pretérito com próclise, menos usual).
Primeiro registro
Registros de textos em português arcaico, como as cantigas galego-portuguesas, já apresentam o verbo 'comprazer' e suas conjugações, incluindo formas que poderiam evoluir para a estrutura em questão, embora a forma exata 'comprazer-se-iam' seja mais provável em textos posteriores que consolidaram a gramática normativa.
Momentos culturais
A forma 'comprazer-se-iam' e suas variantes eram comuns em obras literárias dos séculos XVI ao XIX, como em textos de Camões, Machado de Assis (em suas obras iniciais ou em contextos de linguagem mais formal), e outros autores que buscavam a erudição e a fidelidade à norma culta da época.
Vida emocional
Associada a um prazer mais refinado, a uma satisfação intelectual ou moral, ou a um contentamento profundo. A forma verbal complexa sugere uma nuance de desejo ou possibilidade de prazer.
A forma 'comprazer-se-iam' evoca um sentimento de distanciamento temporal, formalidade extrema, ou até mesmo um tom irônico ou pedante, dependendo do contexto. Não carrega uma carga emocional direta no uso contemporâneo, mas sim uma conotação estilística.
Comparações culturais
Inglês: A estrutura 'comprazer-se-iam' não tem um equivalente direto em uma única palavra ou forma verbal simples. Seria traduzida por frases como 'they would have pleased themselves' ou 'they would have taken pleasure', dependendo do contexto. O inglês moderno prefere construções mais analíticas. Espanhol: Similarmente, o espanhol moderno usaria formas como 'se complacerían' (futuro simples) ou 'se hubieran complacido' (pretérito pluscuamperfecto de subjuntivo), mas a estrutura enclítica e a conjugação específica do português clássico não têm paralelo direto. Francês: O francês usaria 'ils se complaceraient' (conditionnel présent) ou 'ils se seraient complus' (passé du conditionnel), também com uma estrutura mais analítica que a forma arcaica do português.
Relevância atual
A relevância da forma 'comprazer-se-iam' é quase nula no uso corrente do português brasileiro. Sua importância reside no estudo da evolução gramatical da língua, na análise de textos literários antigos e na compreensão das normas linguísticas do passado. Em contextos modernos, seria considerada um anacronismo ou um recurso estilístico deliberado.
Origem Latina e Formação
Século XIII - O verbo 'comprazer' origina-se do latim 'complacere', composto por 'com-' (junto, completamente) e 'placere' (agradar, dar prazer). A forma 'comprazer-se-iam' é uma conjugação verbal específica do português, indicando a terceira pessoa do plural do futuro do pretérito (condicional) do verbo 'comprazer', com o pronome oblíquo átono 'se' posposto e enclítico, e o pronome oblíquo átono 'iam' (referente a 'eles/elas') também enclítico. Essa estrutura é característica do português clássico e formal.
Uso Clássico e Formal
Séculos XIV a XIX - A forma 'comprazer-se-iam' era utilizada em contextos literários e formais, refletindo a norma culta da época. Sua complexidade morfológica e a ordem enclítica dos pronomes eram comuns na escrita, mas menos frequentes na fala cotidiana, que tendia a simplificar a estrutura, muitas vezes com o pronome antes do verbo ('se lhes compraziam').
Evolução para o Português Moderno
Século XX - Com a evolução da língua portuguesa, especialmente no Brasil, a tendência foi a próclise (pronome antes do verbo) e a simplificação das formas verbais. A construção 'comprazer-se-iam' tornou-se arcaica e rara, sendo substituída por construções mais simples como 'eles se compraziam' (pretérito imperfeito) ou 'eles se comprazereiam' (futuro do pretérito com próclise, embora menos comum que o imperfeito para expressar hipóteses).
Uso Contemporâneo e Contexto
Atualidade - A forma 'comprazer-se-iam' é considerada extremamente formal e arcaica no português brasileiro contemporâneo. Seu uso é praticamente restrito a textos históricos, citações literárias antigas ou, em casos raros, para evocar um estilo deliberadamente erudito ou irônico. A compreensão da frase 'eles se compraziam' ou 'eles se comprazereiam' é mais comum.
Forma verbal conjugada do verbo 'comprazer-se' (latim 'complacere').