dava-se
Do latim 'dare'. O pronome 'se' é um pronome pessoal oblíquo átono.
Origem
O verbo 'dar' deriva do latim 'dare', com o sentido de 'entregar', 'conceder', 'oferecer'. O pronome 'se' tem origem no pronome latino 'se'.
A combinação do verbo no pretérito imperfeito ('dava') com o pronome átono em ênclise ('se') é uma característica do português arcaico e medieval, refletindo a sintaxe da época.
Mudanças de sentido
Usado para expressar ações habituais, contínuas ou repetidas no passado, frequentemente com valor impessoal ('Dava-se um jeito para tudo') ou reflexivo ('Ele dava-se bem com todos').
Mantém o sentido de ação habitual ou contínua no passado. A ênclise ('dava-se') é preferida em contextos formais, enquanto a próclise ('se dava') é mais comum na fala informal e em algumas variedades regionais do Brasil.
A forma 'dava-se' é predominantemente encontrada em registros escritos formais, literários e acadêmicos. Em contextos informais, a variante com próclise ('se dava') é mais frequente, evidenciando uma tendência de deslocamento da ênclise para a próclise em muitas situações de uso no Brasil.
A preferência pela próclise ('se dava') em detrimento da ênclise ('dava-se') em muitas situações no português brasileiro contemporâneo é um fenômeno linguístico estudado, influenciado pela oralidade e pela sintaxe de outras línguas, como o espanhol. No entanto, a ênclise em 'dava-se' ainda é considerada gramaticalmente correta e estilisticamente adequada em contextos formais.
Primeiro registro
Registros em textos medievais portugueses, como crônicas e cantigas, já apresentam a estrutura verbal com ênclise, indicando o uso da forma 'dava-se' em contextos narrativos e descritivos do passado.
Momentos culturais
Presente em obras de autores como Camões, Machado de Assis e Guimarães Rosa, onde a ênclise contribui para o estilo formal e a caracterização temporal das narrativas.
Embora menos comum em letras de música popular, que tendem a usar a linguagem mais coloquial e a próclise ('se dava'), a forma 'dava-se' pode aparecer em canções que buscam um tom mais poético ou arcaizante.
Conflitos sociais
A distinção entre o uso da ênclise ('dava-se') e da próclise ('se dava') tornou-se um marcador de variação linguística e social no Brasil. A ênclise é frequentemente associada à norma culta e à educação formal, enquanto a próclise é vista como mais popular e informal, gerando debates sobre o 'certo' e o 'errado' na língua.
Vida emocional
A forma 'dava-se' pode evocar um sentimento de nostalgia, formalidade ou até mesmo um certo distanciamento, dependendo do contexto. Para alguns falantes, seu uso pode soar pedante ou excessivamente formal, enquanto para outros, representa a elegância e a correção gramatical.
Vida digital
Em buscas online, 'dava-se' aparece em contextos de pesquisa gramatical, estudos de linguística e análise de textos literários. A variante 'se dava' é mais comum em fóruns de discussão e redes sociais, refletindo o uso coloquial.
Representações
A forma 'dava-se' é frequentemente utilizada em diálogos de novelas e filmes que retratam épocas passadas ou que buscam conferir um tom mais solene e formal aos personagens e à narrativa.
Comparações culturais
Inglês: O inglês não possui uma estrutura equivalente direta com a ênclise de pronomes oblíquos em verbos no passado. O passado contínuo ('was giving') ou o passado simples ('gave') são usados, sem a marcação pronominal reflexiva ou impessoal da mesma forma. Espanhol: O espanhol utiliza a próclise ('se daba') de forma predominante, similar à tendência no português brasileiro coloquial. A ênclise é rara e restrita a contextos muito específicos. Francês: O francês também utiliza a próclise ('se donnait') em contextos semelhantes. Alemão: O alemão usa construções reflexivas ('gab sich') que podem ter semelhanças semânticas, mas a estrutura gramatical é distinta.
Origem Latina e Formação do Português
Século XII-XIII — O verbo 'dar' tem origem no latim 'dare', que significa 'entregar', 'conceder'. A forma 'dava-se' surge da combinação do verbo no pretérito imperfeito do indicativo ('dava') com o pronome oblíquo átono 'se' em ênclise, uma construção comum no português arcaico e medieval.
Evolução e Consolidação Gramatical
Séculos XIV-XVIII — A estrutura 'verbo + se' em ênclise se consolida na língua portuguesa, sendo amplamente utilizada na escrita e na fala. 'Dava-se' é empregada em diversos contextos, indicando ações contínuas ou habituais no passado, muitas vezes com um sentido impessoal ou reflexivo.
Uso Contemporâneo no Português Brasileiro
Século XIX - Atualidade — A forma 'dava-se' continua a ser utilizada na norma culta do português brasileiro, mantendo seu valor semântico e gramatical. É comum em textos literários, jornalísticos e acadêmicos, preservando a ênclise como marca de formalidade.
Do latim 'dare'. O pronome 'se' é um pronome pessoal oblíquo átono.