de-outrem
Composto pela preposição 'de' e o pronome indefinido 'outrem'.
Origem
Deriva da locução latina 'de extraneo', que significa 'de fora', 'de outro'. O 'de-' indica origem ou posse, e 'extraneus' refere-se a algo ou alguém que não pertence ao círculo imediato, sendo, portanto, alheio.
Mudanças de sentido
O sentido permaneceu estável ao longo dos séculos, sempre indicando posse ou pertencimento a outra pessoa, algo alheio. A principal mudança foi a diminuição de sua frequência de uso.
A expressão 'de outrem' sempre carregou a conotação de posse externa, o que é alheio ao sujeito. Não houve uma grande ressignificação semântica, mas sim um processo de obsolescência lexical em favor de sinônimos mais comuns e diretos.
Primeiro registro
Registros em textos jurídicos e literários medievais portugueses, indicando o uso da expressão na Península Ibérica antes da colonização do Brasil.
Momentos culturais
Presença em obras literárias clássicas portuguesas e brasileiras coloniais, como em crônicas e relatos que descreviam posses, bens ou relações sociais.
Comparações culturais
Inglês: 'of another', 'someone else's', 'belonging to another'. Espanhol: 'de otro', 'ajeno'. Francês: 'd'autrui', 'de quelqu'un d'autre'.
Relevância atual
A expressão 'de outrem' é considerada arcaica e pouco usual no português brasileiro contemporâneo. Seu uso é restrito a contextos formais, como documentos legais ('propriedade de outrem'), textos acadêmicos ou literários que intencionalmente evocam um registro antigo. Não possui presença significativa na linguagem cotidiana, gírias ou cultura digital.
Origem e Formação
Século XIII - Formação a partir do latim vulgar 'de extraneo', significando 'de fora', 'de outro'. Combinação do prefixo 'de-' (origem, afastamento) com 'extraneus' (estrangeiro, alheio).
Uso Arcaico e Literário
Séculos XIV a XVIII - Presente em textos literários e jurídicos com o sentido de 'pertencente a outrem', 'alheio', 'de outra pessoa'.
Declínio de Uso e Substituição
Séculos XIX e XX - O uso da expressão 'de outrem' começa a declinar com a preferência por formas mais sintéticas e diretas, como 'alheio', 'de outra pessoa', 'de terceiros'.
Uso Contemporâneo
Atualidade - Raro no português brasileiro falado e escrito, restrito a contextos muito formais, jurídicos ou literários que buscam um tom arcaizante ou específico.
Composto pela preposição 'de' e o pronome indefinido 'outrem'.