deixamos-passar
Composição de 'deixar' (verbo) + 'passar' (verbo).
Origem
Composição do verbo 'deixar' (latim 'desixare') e o substantivo 'passar' (latim 'passus'). Inicialmente, indicava a ação literal de permitir a passagem.
Mudanças de sentido
Desenvolvimento do sentido figurado de 'ignorar', 'não punir', 'ser conivente'.
No Brasil, a expressão 'deixamos-passar' (ou 'deixar passar') abrange desde a simples falta de importância a algo trivial até a crítica a negligência, corrupção e falhas institucionais. → ver detalhes
A conotação negativa se intensifica em discursos políticos e midiáticos, onde 'deixar passar' se torna sinônimo de impunidade ou falha de fiscalização. Em conversas cotidianas, pode ainda manter um sentido mais brando de 'deixar pra lá'.
Primeiro registro
Registros em textos literários e administrativos da época que indicam a locução verbal com seu sentido literal de permitir a passagem. O sentido figurado se consolida gradualmente em séculos posteriores.
Momentos culturais
A expressão é frequentemente utilizada em obras literárias e teatrais para descrever situações de complacência ou falha moral de personagens.
A expressão 'deixamos-passar' ganha destaque em debates políticos e sociais, sendo usada para criticar a impunidade e a corrupção em diversas esferas do governo e da sociedade brasileira. É comum em manchetes de jornais e discussões em redes sociais.
Conflitos sociais
A expressão é central em discussões sobre justiça, ética e responsabilidade. O 'deixar passar' é frequentemente associado a privilégios, impunidade para elites e falhas na aplicação da lei, gerando debates acalorados sobre a desigualdade social e o acesso à justiça no Brasil.
Vida digital
A expressão 'deixamos-passar' é frequentemente usada em hashtags e comentários em redes sociais para denunciar ou comentar casos de corrupção, negligência ou impunidade. Pode aparecer em memes que ironizam a facilidade com que certas infrações são ignoradas.
Representações
A ideia de 'deixar passar' é um tema recorrente em novelas, filmes e séries brasileiras, retratando personagens que ignoram falhas, cometem atos ilícitos com cumplicidade ou sofrem as consequências de não terem agido.
Comparações culturais
Inglês: 'to let slide', 'to overlook', 'to turn a blind eye'. Espanhol: 'dejar pasar', 'hacer la vista gorda'. Francês: 'laisser passer', 'fermer les yeux'. Alemão: 'etwas durchgehen lassen'.
Relevância atual
A expressão 'deixamos-passar' mantém alta relevância no português brasileiro, sendo um termo-chave em discussões sobre ética, justiça, política e responsabilidade social. Sua carga semântica negativa, associada à impunidade e negligência, a torna uma ferramenta linguística poderosa para crítica social.
Formação e Composição
Séculos XV-XVI — Formado pela junção do verbo 'deixar' (do latim 'desixare', abandonar, soltar) e o substantivo 'passar' (do latim 'passus', passo, movimento). A construção 'deixar passar' surge como locução verbal indicando a ação de permitir que algo ou alguém siga adiante sem impedimento.
Consolidação do Sentido Figurado
Séculos XVII-XVIII — O sentido figurado de 'ignorar', 'não intervir' ou 'ser conivente' começa a se consolidar, especialmente em contextos de autoridade ou fiscalização. A expressão passa a carregar uma conotação de tolerância, por vezes positiva (compreensão) ou negativa (negligência, corrupção).
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XX-Atualidade — A expressão 'deixamos-passar' (ou 'deixar passar') é amplamente utilizada no português brasileiro em diversos contextos. No âmbito informal, pode significar simplesmente não dar importância a algo trivial. Em contextos mais formais ou críticos, adquire o sentido de negligência, falha na fiscalização ou cumplicidade, frequentemente associada a escândalos de corrupção ou ineficiência de órgãos públicos.
Composição de 'deixar' (verbo) + 'passar' (verbo).