dele-mesmo
Combinação do pronome pessoal oblíquo 'dele' com o pronome pessoal enfático 'mesmo'.
Origem
Formado pela aglutinação do pronome pessoal oblíquo tônico 'se' (do latim 'se') com o pronome pessoal do caso reto 'ele' (do latim 'ille'), acrescido da preposição 'de' e do pronome 'mesmo' (do latim 'metipsissimus', superlativo de 'ipse', que significa 'o próprio'). A construção 'de ele mesmo' surge como uma forma enfática para reforçar o sujeito.
Mudanças de sentido
Função primária de reforço enfático para o pronome pessoal 'ele', indicando que a ação recai sobre o próprio sujeito. Ex: 'Ele fez isso de ele mesmo'.
A forma 'dele mesmo' se consolida como uma construção pronominal enfática, sinônima de 'ele próprio' ou 'ele mesmo'. A preposição 'de' pode indicar posse ou origem, mas aqui funciona como parte da locução enfática. A forma 'dele-mesmo' com hífen surge como uma tentativa de unificação gráfica para a locução.
A forma 'dele mesmo' (sem hífen) é a mais comum e aceita na norma culta e no uso geral. A forma 'dele-mesmo' (com hífen) é menos frequente e pode ser vista como uma grafia mais arcaica ou uma tentativa de marcar a locução como uma unidade. O uso enfático é mantido: 'A culpa é dele mesmo'.
Primeiro registro
Registros em textos da época já indicam o uso de construções enfáticas com pronomes e 'mesmo', embora a forma aglutinada 'dele-mesmo' possa ter surgido gradualmente. A documentação específica da forma hifenizada é mais tardia, mas a construção subjacente é antiga. (Referência: corpus_textos_antigos.txt)
Momentos culturais
Presente em obras literárias como forma de reforço em diálogos e narrações, conferindo ênfase à ação ou característica do personagem. (Referência: Machado de Assis, Obras Completas)
Utilizado em letras de músicas para expressar convicção, culpa ou responsabilidade. Ex: 'A culpa é dele mesmo, quem mandou?'
Conflitos sociais
A grafia com ou sem hífen ('dele-mesmo' vs. 'dele mesmo') pode gerar debates sobre a correção gramatical, embora 'dele mesmo' seja amplamente aceito e preferido na atualidade. A forma hifenizada é menos comum e pode ser vista como uma tentativa de fixar uma locução que naturalmente se aglutina na fala.
Vida emocional
Associada a sentimentos de responsabilidade, culpa, autoria ou até mesmo teimosia. A expressão carrega um peso de atribuição direta de uma ação ou característica a alguém.
Vida digital
A forma 'dele mesmo' é predominante em textos digitais, como redes sociais e mensagens. A grafia hifenizada 'dele-mesmo' aparece esporadicamente, muitas vezes em contextos informais ou como erro de digitação. A expressão é usada em comentários para atribuir responsabilidade ou ironizar situações.
Viraliza em memes e posts que atribuem falhas ou sucessos a indivíduos específicos, com tom de acusação ou constatação. Ex: 'O erro foi dele mesmo'.
Representações
Utilizada em diálogos para conferir naturalidade e expressividade, reforçando a atribuição de responsabilidade ou culpa a personagens. Ex: 'Não adianta reclamar, a decisão foi dele mesmo'.
Comparações culturais
Inglês: 'himself' (masculino singular), 'herself' (feminino singular), 'itself' (neutro singular), 'themselves' (plural). São pronomes reflexivos enfáticos que cumprem função similar. Espanhol: 'él mismo' (masculino singular), 'ella misma' (feminino singular), 'ellos mismos' (masculino plural), 'ellas mismas' (feminino plural). Também são construções enfáticas com pronome + 'mismo/misma/mismos/mismas'.
Relevância atual
A forma 'dele mesmo' continua sendo uma construção pronominal enfática essencial no português brasileiro, utilizada para reforçar a identidade do sujeito em relação à ação. Sua relevância reside na clareza e na força expressiva que confere à comunicação, especialmente em contextos onde a atribuição de responsabilidade é crucial.
Formação do Português
Séculos XII-XIII — Formação do português arcaico a partir do latim vulgar, com a aglutinação de pronomes e a formação de construções enfáticas.
Período Clássico e Normatização
Séculos XVI-XVIII — Consolidação da gramática normativa, com a análise e registro das formas pronominais, incluindo as enfáticas.
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XX - Atualidade — Uso consolidado no português brasileiro, com variações de registro e aceitação.
Combinação do pronome pessoal oblíquo 'dele' com o pronome pessoal enfático 'mesmo'.