derramara
Do latim 'derramare'.
Origem
Deriva do latim vulgar *de-rancare, possivelmente relacionado a 'rancidus' (rançoso, estragado) ou 'rancare' (arranhar, rasgar), com o sentido de espalhar ou derramar algo contido. A forma clássica latina é 'fundere'.
Mudanças de sentido
O sentido primário de 'derramar' (verter, espalhar líquido) permaneceu estável. A mudança principal reside na frequência de uso de suas formas verbais, com o pretérito mais-que-perfeito simples 'derramara' sendo gradualmente substituído por formas analíticas na linguagem falada.
O verbo 'derramar' também adquiriu sentidos figurados como 'derramar lágrimas' (chorar), 'derramar sangue' (causar mortes), 'derramar-se' (espalhar-se, dispersar-se), e 'derramar-se em elogios' (elogiar excessivamente). A forma 'derramara' mantém esses sentidos em contextos literários.
Primeiro registro
Registros da forma 'derramara' podem ser encontrados em textos medievais portugueses, como crônicas e cantigas, a partir do século XII, refletindo o uso do pretérito mais-que-perfeito simples na época.
Momentos culturais
A forma 'derramara' é recorrente na obra de grandes escritores da literatura portuguesa e brasileira, como Camões, Machado de Assis e José de Alencar, em passagens que descrevem eventos passados de forma elaborada.
Ainda presente em obras literárias e acadêmicas, mas com declínio notável na literatura de massa e na linguagem jornalística, que tendem a simplificar a estrutura verbal.
Comparações culturais
Inglês: O pretérito mais-que-perfeito simples ('had + particípio') é a forma padrão para expressar a mesma relação temporal, como em 'he had spilled'. Espanhol: O pretérito mais-que-perfeito simples ('había + particípio') é amplamente utilizado e equivalente, como em 'él había derramado'. O espanhol mantém um uso mais frequente desta forma verbal na fala e escrita do que o português brasileiro contemporâneo.
Relevância atual
A forma 'derramara' é considerada gramaticalmente correta, mas arcaica ou formal para o uso coloquial no Brasil. Sua relevância reside na preservação da norma culta, na literatura e em contextos acadêmicos. Na linguagem falada, é quase inteiramente substituída por construções analíticas como 'tinha derramado' ou 'havia derramado'.
Origem Etimológica e Latim Vulgar
Deriva do latim vulgar *de-rancare, possivelmente relacionado a 'rancidus' (rançoso, estragado) ou 'rancare' (arranhar, rasgar), indicando a ideia de espalhar, derramar algo que estava contido. A forma clássica latina para derramar é 'fundere'.
Formação no Português Medieval
A palavra 'derramar' e suas conjugações, incluindo o pretérito mais-que-perfeito simples 'derramara', consolidam-se no português arcaico, refletindo a influência do latim vulgar na formação da língua. O pretérito mais-que-perfeito simples era comum na escrita e na fala.
Uso Clássico e Literário
O pretérito mais-que-perfeito simples 'derramara' é amplamente utilizado na literatura clássica portuguesa e brasileira, especialmente em narrativas que exigem a marcação de uma ação passada anterior a outra ação passada. É uma forma gramaticalmente correta e esperada em textos formais.
Uso Contemporâneo e Gramatical
Embora o pretérito mais-que-perfeito simples 'derramara' ainda seja gramaticalmente correto e encontrado em textos formais e literários, seu uso na fala cotidiana no Brasil é raro. A tendência é a substituição por construções analíticas como 'tinha derramado' ou 'havia derramado'.
Do latim 'derramare'.