empenhar-nos-emos
Derivado do verbo 'empenhar' (do latim impignorare).
Origem
Deriva do latim 'impignare', que significa 'dar em penhor', 'hipotecar', 'empenhar'. O verbo 'empenhar' evoluiu para significar também 'dedicar-se', 'comprometer-se'.
Mudanças de sentido
Sentido original ligado à ideia de dar algo como garantia (penhor).
Desenvolvimento do sentido de 'dedicar-se com afinco', 'comprometer-se com algo', 'empenhar-se'.
O sentido de 'dedicar-se' ou 'comprometer-se' é o mais comum para o verbo 'empenhar', mas a forma verbal específica 'empenhar-nos-emos' carrega o peso da formalidade e raridade.
A forma verbal 'empenhar-nos-emos' mantém o sentido de 'nós nos dedicaremos' ou 'nós nos comprometeremos', mas sua estrutura gramatical a torna incomum no uso diário.
Primeiro registro
Registros de formas verbais com ênclise semelhantes a 'empenhar-nos-emos' podem ser encontrados em textos do português arcaico, embora a documentação específica desta forma exata seja difícil de precisar sem um corpus linguístico extenso e datado.
Momentos culturais
Presente em obras literárias clássicas da língua portuguesa, como as de Camões, Machado de Assis (em seus primeiros escritos ou em contextos de alta formalidade), e em documentos oficiais da época.
Conflitos sociais
O 'conflito' reside na distinção entre o português formal/literário e o português coloquial/brasileiro. O uso de 'empenhar-nos-emos' pode ser percebido como pedante ou anacrônico por falantes que não estão familiarizados com a norma culta mais tradicional ou que priorizam a comunicação direta e informal.
Vida emocional
A palavra evoca um sentimento de formalidade, solenidade, e para muitos, de estranhamento ou até mesmo de humor, por sua raridade e estrutura gramatical considerada 'antiquada' no Brasil.
Vida digital
A forma 'empenhar-nos-emos' raramente aparece em buscas cotidianas. Quando surge, é em discussões sobre gramática, em citações literárias ou em contextos de humor e paródia, onde sua formalidade é explorada.
Representações
Pode aparecer em dublagens de filmes ou séries antigas, ou em personagens que representam figuras eruditas, históricas ou com um discurso muito rebuscado. Raramente é usada em novelas ou filmes contemporâneos, a menos que seja para efeito cômico ou de caracterização específica.
Comparações culturais
Inglês: A forma verbal correspondente seria 'we shall endeavor' ou 'we will commit ourselves', mas a estrutura gramatical é completamente diferente, sem a ênclise de pronomes oblíquos. Espanhol: Formas como 'nos empeñaremos' são comuns e gramaticalmente corretas, mas a ênclise em verbos conjugados no futuro do indicativo ('empeñaremos-nos') é menos frequente no espanhol moderno, especialmente na América Latina, onde a próclise ('nos empeñaremos') é predominante, similar ao português brasileiro. Francês: 'Nous nous engagerons' ou 'nous nous efforcerons', com a ordem pronominal diferente e sem a complexidade da ênclise.
Relevância atual
No português brasileiro, a relevância de 'empenhar-nos-emos' é mínima no uso cotidiano. Sua importância reside no estudo da história da língua, na análise literária e na compreensão das normas gramaticais que regeram o idioma em períodos anteriores. É um exemplo claro da evolução e simplificação da gramática no Brasil.
Origem Latina e Formação do Verbo
Século XV — O verbo 'empenhar' deriva do latim 'impignare', que significa 'dar em penhor', 'hipotecar'. A forma 'empenhar-nos-emos' é uma construção gramatical que remonta à evolução da língua portuguesa, consolidada a partir do português arcaico.
Uso Clássico e Formal
Séculos XVI a XIX — A forma verbal 'empenhar-nos-emos' era utilizada em contextos formais e literários, refletindo a norma culta da época. Sua estrutura com pronome oblíquo em ênclise era a regra gramatical predominante.
Mudanças Gramaticais e Declínio do Uso
Século XX — Com a simplificação da gramática e a influência de outras línguas (como o francês e, posteriormente, o inglês), a ênclise começou a ser menos frequente em contextos informais. A próclise ('nos empenharemos') ganhou espaço, especialmente no português brasileiro.
Uso Contemporâneo e Contexto Brasileiro
Atualidade — A forma 'empenhar-nos-emos' é considerada arcaica e excessivamente formal no português brasileiro contemporâneo. Seu uso é restrito a textos literários de cunho histórico, documentos muito formais ou como um recurso estilístico para evocar um tom solene ou irônico.
Derivado do verbo 'empenhar' (do latim impignorare).