entregar-se
Do latim 'intendere', com o sentido de dirigir, estender.
Origem
Do latim 'tradere', que significa 'dar, transmitir, confiar'. A forma reflexiva 'entregar-se' deriva dessa raiz, indicando a ação de ceder algo ou a si mesmo.
Mudanças de sentido
Inicialmente, o sentido era mais literal: dar posse, confiar. Evoluiu para incluir a ideia de submissão, devoção religiosa ('entregar-se a Deus') e rendição em combate.
Ampliou-se para abranger a entrega a vícios ('entregar-se ao álcool'), paixões ('entregar-se ao amor'), a dedicação a uma tarefa ('entregar-se ao trabalho') ou a uma causa ('entregar-se à luta'). Também adquiriu um sentido de desistência ou fracasso ('entregar-se à tristeza').
No contexto contemporâneo, 'entregar-se' pode ter conotações negativas (desistência, vício) ou positivas (dedicação, entrega a um propósito). A psicologia e o desenvolvimento pessoal exploram a 'entrega' como um ato de vulnerabilidade e aceitação.
Primeiro registro
Registros em textos medievais em português antigo, derivados do latim 'tradere'.
Momentos culturais
Frequente em textos religiosos, descrevendo a entrega dos fiéis a Deus ou a santos.
Explorado na literatura e poesia para descrever a entrega passional e o abandono aos sentimentos.
Presente em letras de música popular, abordando temas de amor, superação e, por vezes, desistência.
Conflitos sociais
Associado a discussões sobre dependência química ('entregar-se às drogas'), onde a palavra denota a perda de controle e a vulnerabilidade social.
Em contextos de protestos ou revoluções, 'entregar-se' pode significar rendição às autoridades, com forte carga política e social.
Vida emocional
A palavra carrega um peso emocional significativo, variando entre a entrega voluntária e positiva (dedicação, amor) e a entrega forçada ou negativa (rendição, vício, desistência). Evoca sentimentos de vulnerabilidade, abandono, devoção ou resignação.
Vida digital
Usada em memes e posts de redes sociais para expressar desde a entrega a uma maratona de séries ('me entreguei à série') até a desistência de uma tarefa ('me entreguei ao cansaço'). Aparece em hashtags relacionadas a superação e, paradoxalmente, a momentos de 'dar um tempo'.
Buscas online frequentemente associam 'entregar-se' a temas como 'entregar-se ao vício', 'entregar-se ao amor', 'entregar-se a Deus'.
Representações
Frequentemente retratada em filmes e novelas em cenas de rendição policial, confissões emocionais, ou na entrega de personagens a seus destinos trágicos ou amorosos.
Comparações culturais
Inglês: 'to surrender' (rendição, desistência), 'to give oneself up' (entregar-se à polícia, a um vício), 'to devote oneself' (entregar-se a uma causa/devoção). Espanhol: 'entregarse' (sentido similar ao português, abrangendo posse, rendição, dedicação). Francês: 'se rendre' (render-se, entregar-se), 'se livrer à' (entregar-se a algo). Alemão: 'sich ergeben' (render-se, resignar-se), 'sich hingeben' (entregar-se a algo/alguém).
Relevância atual
A palavra 'entregar-se' mantém sua polissemia, sendo utilizada em diversos contextos. Sua relevância reside na capacidade de expressar atos de cessão, submissão, dedicação ou desistência, refletindo nuances da experiência humana em diferentes esferas da vida.
Origem e Primeiros Usos
Século XIII - O verbo 'entregar' surge do latim 'tradere', que significa 'dar, transmitir, confiar'. A forma reflexiva 'entregar-se' começa a ser usada para indicar a ação de ceder algo ou a si mesmo a alguém ou a uma situação.
Evolução e Diversificação de Sentido
Séculos XIV a XVIII - O uso de 'entregar-se' se expande, abrangendo desde a cessão de bens e posse até a entrega de si em devoção religiosa ou submissão. Começa a ganhar nuances de rendição e abandono.
Uso Moderno e Contemporâneo
Século XIX até a Atualidade - 'Entregar-se' consolida seus significados, incluindo a entrega de um trabalho, a rendição em conflitos, o abandono a vícios ou paixões, e a entrega a uma causa ou sentimento. Ganha força em contextos psicológicos e sociais.
Do latim 'intendere', com o sentido de dirigir, estender.