espera-se-que
Combinação do verbo 'esperar' (latim 'sperare') com o pronome apassivado 'se' e a conjunção 'que'.
Origem
Formada pela junção do verbo 'esperar' (latim *sperare*, ter esperança, aguardar), do pronome apassivador/reflexivo 'se' e da conjunção subordinativa 'que' (latim *quae*). A estrutura impessoal se desenvolve a partir do latim vulgar.
Mudanças de sentido
Inicialmente, a estrutura 'esperar-se' já indicava uma expectativa ou desejo de forma impessoal.
Consolidação como marcador de orações subjetivas e objetivas diretas, com ênfase na impessoalidade e formalidade.
Mantém a função gramatical, mas pode ser percebida como formal ou até um pouco arcaica em contextos muito informais. A tendência é o uso em contextos que exigem maior formalidade ou objetividade.
Em conversas informais, é comum a substituição por 'tomara que', 'que bom se', ou simplesmente a omissão da estrutura impessoal, dependendo do verbo principal. Ex: 'Acha que vai chover' em vez de 'Espera-se que ele ache que vai chover'.
Primeiro registro
Registros em textos literários e administrativos da época, como crônicas e documentos oficiais, onde a impessoalidade era valorizada. (Referência: corpus_literatura_arcaica.txt)
Momentos culturais
Presente em romances realistas e naturalistas, frequentemente em diálogos ou narrações que refletem expectativas sociais ou presságios. (Referência: corpus_literatura_seculo_XIX.txt)
Utilizada em discursos políticos e jornalísticos para apresentar projeções e expectativas de forma neutra. (Referência: corpus_jornalismo_meados_XX.txt)
Vida digital
A expressão é comum em notícias online, artigos de opinião e comunicados oficiais. Em redes sociais, pode aparecer em posts mais formais ou em citações.
Menos comum em memes ou linguagem viral, onde a concisão e o humor direto são preferidos. Quando aparece, pode ser para criar um efeito de ironia ou formalidade exagerada.
Comparações culturais
Inglês: 'It is expected that' ou 'One expects that'. Espanhol: 'Se espera que'. Francês: 'On s'attend à ce que'. Alemão: 'Es wird erwartet, dass'.
Relevância atual
A expressão 'espera-se que' mantém sua relevância gramatical e funcional no português brasileiro, sendo um marcador de impessoalidade e expectativa. Seu uso é mais frequente em contextos formais, acadêmicos, jornalísticos e administrativos, onde a objetividade e a distanciamento do emissor são desejados. Em contrapartida, em contextos informais e de comunicação rápida, como mensagens instantâneas e redes sociais, a tendência é a simplificação ou o uso de sinônimos mais diretos.
Formação do Português
Séculos XII-XIII — Formação da locução verbal 'esperar' (do latim *sperare*) + pronome 'se' (partícula apassivadora ou reflexiva) + conjunção 'que' (do latim *quae*). A estrutura se consolida com a evolução do português arcaico.
Consolidação Gramatical
Séculos XV-XVIII — A expressão 'espera-se que' ganha espaço na escrita formal e literária, funcionando como uma forma impessoal de expressar expectativas ou suposições, especialmente em textos com tom mais objetivo ou formal.
Uso Moderno e Diversificação
Séculos XIX-XX — A expressão se torna comum na imprensa, na literatura e na linguagem falada, mantendo sua função de introduzir orações subordinadas substantivas subjetivas ou objetivas diretas, com um tom de formalidade moderada.
Atualidade e Contexto Digital
Século XXI — A expressão 'espera-se que' continua em uso, mas sua formalidade pode ser percebida como excessiva em contextos informais. No ambiente digital, pode ser substituída por formas mais diretas ou informais, mas ainda é recorrente em notícias, artigos e comunicações oficiais.
Combinação do verbo 'esperar' (latim 'sperare') com o pronome apassivado 'se' e a conjunção 'que'.