fazem-conta-de
Combinação do verbo 'fazer', o substantivo 'conta' e a preposição 'de'.
Origem
Deriva da locução verbal 'fazer conta de', com origem no latim 'computare' (contar, calcular). O sentido evoluiu de 'considerar', 'levar em conta' para o figurado de 'fingir', 'simular'.
Mudanças de sentido
Inicialmente, 'fazer conta de' significava 'considerar', 'levar em conta'.
Evolução para o sentido de 'fingir', 'simular', 'aparentar algo que não é'.
A locução verbal adquiriu um caráter figurado, distanciando-se do sentido literal de cálculo. A forma 'fazem conta de' (com o pronome implícito 'eles' ou 'elas') se popularizou em contextos informais, indicando uma ação simulada por um grupo.
Mantém o sentido de fingir, simular, aparentar, sendo característica da oralidade brasileira.
Primeiro registro
Registros em documentos de viagem e relatos de costumes do Brasil colonial, indicando o uso oral da expressão. A forma 'fazem conta de' como plural informal é mais difícil de datar precisamente em registros escritos formais, mas sua presença em transcrições de fala ou em literatura que busca retratar a oralidade remonta a este período e se intensifica nos séculos seguintes. (Referência: corpus_linguistico_colonial.txt)
Momentos culturais
Presente em obras literárias que retratam a fala popular brasileira, como em romances regionalistas e contos que buscam a autenticidade da linguagem oral. (Referência: literatura_oralidade_brasil.txt)
Popularização em telenovelas e programas de humor que exploravam o linguajar regional e informal, consolidando a expressão no imaginário popular brasileiro.
Conflitos sociais
A forma 'fazem conta de' (com o plural implícito) é frequentemente associada a um registro linguístico informal e, por vezes, estigmatizado como 'incorreto' por falantes de variedades mais prestigiadas ou em contextos formais. Isso reflete tensões entre a norma culta e as variedades populares da língua portuguesa no Brasil.
Vida emocional
A expressão carrega um tom de malícia, astúcia ou ingenuidade, dependendo do contexto. Pode evocar a ideia de alguém que está sendo enganado ou que está tentando enganar, gerando sentimentos de desconfiança, diversão ou até mesmo compaixão.
Vida digital
A expressão 'fazem conta de' aparece em fóruns online, redes sociais e comentários, geralmente em discussões informais e em reproduções da fala cotidiana. Não se observa viralização massiva ou formação de memes específicos com a expressão, mas ela é parte do vocabulário digital informal.
Representações
Frequentemente utilizada por personagens em telenovelas, filmes e séries que representam o povo brasileiro em suas mais diversas facetas, especialmente em contextos rurais ou de classes populares, para conferir autenticidade ao diálogo.
Comparações culturais
Inglês: 'to pretend', 'to feign', 'to make believe'. Espanhol: 'fingir', 'simular', 'hacerse el/la'. A construção brasileira 'fazem conta de' com o plural implícito e o sentido de fingir é uma particularidade do português brasileiro, não tendo um equivalente direto e exato em outras línguas, mas compartilhando o conceito semântico de simulação.
Relevância atual
A expressão 'fazem conta de' continua viva na oralidade do português brasileiro, especialmente em contextos informais e regionais. Sua relevância reside na sua capacidade de expressar a ideia de simulação de forma coloquial e característica da fala popular, mantendo-se como um marcador de identidade linguística regional.
Origem e Evolução
Século XVI - Início da formação do português brasileiro com a chegada dos colonizadores. A expressão 'fazer conta de' surge como uma locução verbal, derivada do latim 'computare' (contar, calcular), mas com um sentido figurado que se distancia do literal. Inicialmente, 'fazer conta de' podia significar 'considerar', 'levar em conta'. A adição do 'de' e a posterior incorporação do 'fazem' (terceira pessoa do plural do presente do indicativo de 'fazer') em construções informais e regionais, como 'eles fazem conta de', indicam uma adaptação popular e uma evolução semântica para o sentido de 'fingir' ou 'simular'.
Consolidação do Sentido Figurado
Século XVIII - XIX: A locução verbal 'fazer conta de' no sentido de 'fingir', 'simular', 'aparentar' se consolida no português falado no Brasil, especialmente em contextos informais e regionais. A forma 'fazem conta de' (com o pronome implícito 'eles' ou 'elas') torna-se uma marca de oralidade e de certas variedades regionais.
Uso Contemporâneo
Século XX - Atualidade: A expressão 'fazem conta de' é amplamente utilizada no português brasileiro informal, especialmente em regiões do interior e em contextos de oralidade. Mantém o sentido de fingir, simular, aparentar algo que não é. É comum em falas cotidianas, mas raramente aparece em registros formais escritos.
Combinação do verbo 'fazer', o substantivo 'conta' e a preposição 'de'.