fazer-de-conta-que-nao-vimos

Construção verbal em português brasileiro.

Origem

Século XX

A expressão 'fazer de conta que não vimos' é uma construção idiomática do português brasileiro, formada pela junção do verbo 'fazer' (do latim 'facere', fazer, realizar), da preposição 'de' (do latim 'de', indicando origem ou matéria), da conjunção 'conta' (do latim 'computare', contar, calcular, mas aqui com sentido de fingimento, como em 'fazer de conta'), e da oração subordinada adverbial temporal 'que não vimos' (do latim 'videre', ver).

Mudanças de sentido

Século XX

Inicialmente, a expressão descrevia um ato de fingimento mais literal, como em brincadeiras infantis ou em situações de dissimulação social básica.

Anos 2000 - Atualidade

A expressão se expandiu para descrever a omissão deliberada de presenciar algo incômodo, antiético ou que gere responsabilidade. → ver detalhes

O sentido evoluiu de um simples 'fingir não ver' para uma estratégia de evitação de conflitos, responsabilidades ou para manter a paz social em determinados grupos. Reflete uma forma de 'desligamento' seletivo diante de realidades inconvenientes, comum em ambientes de trabalho, familiares ou sociais.

Primeiro registro

Meados do Século XX

Registros informais e orais são difíceis de datar precisamente, mas a estrutura da expressão sugere consolidação no português falado a partir da segunda metade do século XX, com maior documentação em textos informais e literatura a partir dos anos 1980/1990.

Momentos culturais

Anos 1990 - Atualidade

A expressão é frequentemente utilizada em obras literárias, roteiros de novelas e filmes brasileiros para caracterizar personagens que evitam confrontos ou que se beneficiam da ignorância proposital. Exemplo: em diálogos que retratam situações de corrupção velada ou fofocas.

Conflitos sociais

Anos 2000 - Atualidade

A expressão está associada a conflitos sociais onde a omissão é uma tática. Exemplos incluem a 'cultura do silêncio' em comunidades, a negação de problemas sociais graves ou a cumplicidade tácita em atos ilícitos. A expressão pode ser usada de forma crítica para denunciar essa postura.

Vida emocional

Anos 2000 - Atualidade

A expressão carrega um peso de cumplicidade, conveniência e, por vezes, covardia. Está associada a sentimentos de desconforto, culpa (para quem pratica) e frustração (para quem é ignorado).

Vida digital

Anos 2010 - Atualidade

A expressão é comum em redes sociais, fóruns e comentários online para descrever reações a notícias polêmicas, comportamentos inadequados de figuras públicas ou situações cotidianas. Pode aparecer em memes e posts humorísticos sobre a dificuldade de lidar com certas realidades.

Representações

Anos 1990 - Atualidade

Frequentemente usada em diálogos de novelas e séries brasileiras para descrever personagens que preferem ignorar problemas para manter a paz ou por conveniência. Pode ser dita por personagens cínicos ou resignados.

Comparações culturais

Atualidade

Inglês: 'To turn a blind eye' (literalmente 'virar um olho cego'), 'to pretend not to see'. Espanhol: 'Hacerse el/la loco/a' (fazer-se de louco/a, no sentido de fingir não saber), 'hacerse de la vista gorda' (fazer-se da vista gorda). Francês: 'Faire semblant de ne pas voir'. Alemão: 'Wegsehen' (olhar para o lado, desviar o olhar).

Relevância atual

Atualidade

A expressão 'fazer de conta que não vimos' mantém sua relevância como uma descrição concisa e eficaz de um comportamento humano comum: a omissão deliberada diante de fatos incômodos. É uma ferramenta linguística para nomear e, por vezes, criticar a evitação de responsabilidade e a conveniência social.

Formação da Expressão

Século XX - Início do século XXI → Formação de expressões idiomáticas com verbos e advérbios para descrever comportamentos sociais complexos.

Consolidação e Uso

Anos 2000 - Atualidade → Popularização em contextos informais e digitais, refletindo a necessidade de descrever a omissão deliberada.

fazer-de-conta-que-nao-vimos

Construção verbal em português brasileiro.

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