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ir-embora

Composto do verbo 'ir' e do advérbio 'embora'.

Origem

Séculos XII-XIII

Formação a partir do verbo latino 'ire' (ir) e da locução prepositiva 'embora', possivelmente derivada de 'immo hora' (naquele momento) ou 'ab hora' (a partir de agora, indicando afastamento). A junção 'ir embora' surge como uma locução verbal para expressar a ideia de partida.

Mudanças de sentido

Séculos XIV-XVIII

O sentido primário de partir, ausentar-se de um lugar, se estabelece e se mantém. A locução é usada de forma direta e sem grandes variações semânticas.

Séculos XIX-Atualidade

O sentido básico de partir permanece, mas a locução pode adquirir conotações de urgência, tristeza, alívio ou decisão, dependendo do contexto e da entonação. Ex: 'Ele teve que ir embora cedo' (urgência/necessidade); 'Finalmente pude ir embora daquele lugar' (alívio).

Primeiro registro

Século XIV

Registros em crônicas e documentos da época, como a Crônica Geral da Espanha, que já utilizavam a locução verbal para descrever o ato de partir.

Momentos culturais

Século XX

Popularização em canções da MPB, como 'Asa Branca' de Luiz Gonzaga ('Quando oiei a terra ardendo / Qual fogueira de São João / Eu perguntei a Deus do céu, ai / Por que tamanha judiação / Que braseiro, que fornalha / Nem um pé de plantação / Por falta d'água perdi meu gado / Morreu de sede meu alazão / Inté mesmo a asa branca / Bateu asas do sertão / Entonce eu disse, adeus Rosinha / Guarda contigo meu coração / Hoje longe, muitas léguas / Numa triste solidão / Espero a chuva cair de novo / Pra mim vortar pro meu sertão / Quando o sertão ficar verdinho / Eu vortarei, viu, meu coração / Você não chora não, viu / Que eu vortarei, viu, meu coração'). A música evoca a dor e a esperança do sertanejo que precisa ir embora do seu lar.

Anos 1980-1990

Presença frequente em letras de rock e pop brasileiro, expressando desilusão, fim de relacionamentos ou desejo de mudança. Ex: 'Eu quero ir embora daqui'.

Atualidade

Continua sendo um tema recorrente em músicas de diversos gêneros, refletindo a experiência humana de partida, saudade e recomeço.

Vida digital

Anos 2000-Atualidade

Comum em posts de redes sociais, expressando o desejo de sair de situações desconfortáveis ou de viajar. Ex: Hashtags como #QueroIrEmbora, #Partiu ou memes sobre 'dar um tempo'.

Atualidade

Utilizada em memes e vídeos curtos para expressar de forma humorística o desejo de escapar de responsabilidades ou situações indesejadas.

Comparações culturais

Inglês: 'to leave', 'to go away', 'to depart'. Espanhol: 'irse', 'marcharse'. A locução brasileira 'ir embora' carrega uma carga idiomática e afetiva que pode ser mais forte que as traduções literais, especialmente em contextos informais e emocionais.

Relevância atual

Atualidade

A locução 'ir embora' mantém sua relevância como uma das formas mais comuns e expressivas de indicar partida no português brasileiro. Sua simplicidade e carga semântica a tornam uma ferramenta linguística essencial no cotidiano, na literatura, na música e nas interações digitais.

Formação do Português

Séculos XII-XIII — Formação do verbo 'ir' (do latim 'ire') e da preposição 'embora' (do latim 'immo' + 'hora', indicando tempo, momento, ou 'ab' + 'hora', indicando afastamento no tempo). A junção 'ir embora' surge como uma locução verbal para expressar partida.

Consolidação e Uso

Séculos XIV-XVIII — A locução verbal 'ir embora' se consolida na língua portuguesa, com registros em textos literários e administrativos, indicando o ato de partir de um local.

Modernidade e Contemporaneidade

Séculos XIX-Atualidade — 'Ir embora' mantém seu sentido principal, mas ganha nuances de intensidade e emoção dependendo do contexto. Torna-se comum em diversas esferas, da fala cotidiana à literatura e música.

ir-embora

Composto do verbo 'ir' e do advérbio 'embora'.

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