levava-a
Do latim 'levare', com o pronome 'a' (do latim 'illa').
Origem
Deriva do verbo latino 'levare' (levantar, carregar) conjugado no pretérito imperfeito do indicativo, acrescido do pronome oblíquo átono 'a', originado do pronome demonstrativo latino 'illa' ou 'illam'.
Mudanças de sentido
O sentido primário de 'levar' (transportar, carregar) se mantém. A mudança reside na estrutura gramatical e na colocação pronominal, não no significado lexical do verbo.
A forma 'levava-a' mantém o sentido original de 'transportava', 'conduzia', 'carregava' ou 'tinha consigo'. A variação de uso entre 'levava-a' e 'a levava' reflete a evolução da norma e a influência da fala popular brasileira, que tende à próclise.
Na fala coloquial brasileira, a tendência à próclise ('a levava') é forte, especialmente em frases iniciadas por advérbios (ex: 'Ontem a levava para casa') ou em contextos onde a ênclise soaria artificial. A forma 'levava-a' é mais comum em textos literários, discursos formais ou por falantes que priorizam a norma culta tradicional.
Primeiro registro
Registros em textos medievais portugueses, como as Cantigas de Santa Maria (século XIII), já apresentam a estrutura com ênclise, embora a documentação específica da forma 'levava-a' possa variar em precisão temporal. A estrutura é inerente à evolução do latim vulgar para as línguas românicas.
Momentos culturais
Autores como Machado de Assis e José de Alencar utilizavam a forma 'levava-a' em suas obras, seguindo a norma culta da época e conferindo um tom mais formal e literário à narrativa. Exemplo: 'A moça que ele amava, ele a levava para o altar.'
Embora a fala popular prefira a próclise, a forma 'levava-a' pode aparecer em letras de música com intenção poética ou para manter a métrica e a rima, em contextos mais formais ou arcaizantes.
Vida digital
A forma 'levava-a' é raramente encontrada em conteúdos digitais informais (redes sociais, chats). Sua presença é maior em artigos de gramática, blogs sobre a norma culta, e em textos acadêmicos ou literários digitalizados. Buscas por 'levava-a' geralmente retornam explicações sobre colocação pronominal.
Comparações culturais
Inglês: Não possui uma estrutura equivalente direta devido à ausência de conjugação verbal com pronomes átonos embutidos e à ordem fixa das palavras (sujeito-verbo-objeto). A ideia seria expressa por 'she was taking her' ou 'she used to take her', dependendo do contexto. Espanhol: Possui estruturas similares com a ênclise, como 'la llevaba'. O espanhol também apresenta variação entre próclise ('la llevaba') e ênclise ('llevábala' em algumas formas verbais específicas ou contextos mais arcaicos/regionais), refletindo uma evolução paralela das línguas românicas. Francês: Utiliza a próclise ('elle l'emportait'). Alemão: A estrutura é completamente diferente, com verbos conjugados e pronomes em casos específicos ('sie trug sie').
Relevância atual
A forma 'levava-a' é um marcador da norma culta e da escrita formal no português brasileiro. Sua relevância reside na distinção entre a linguagem falada, mais propensa à próclise ('a levava'), e a linguagem escrita e formal, onde a ênclise ainda é aceita e, em alguns contextos, preferida. É um ponto de estudo em gramática e linguística.
Origem Latina e Formação do Português
Século V-VIII d.C. — O verbo latino 'levare' (levantar, erguer, tirar) é a raiz. A forma 'levava' surge da conjugação do imperfeito do indicativo em latim vulgar. A adição do pronome 'a' (do latim 'illa', 'illam') como clítico é uma característica do latim vulgar que se consolida no português arcaico.
Português Arcaico e Medieval
Séculos IX-XV — A forma 'levava-a' já existia, com a colocação do pronome após o verbo (ênclise), comum em construções onde o verbo não era iniciado por certas palavras que exigiam próclise. O uso era mais flexível, mas a ênclise predominava em muitos contextos.
Português Moderno no Brasil
Séculos XVI-XIX — A norma culta, influenciada pelo português europeu, mantinha a ênclise como regra geral. No entanto, a fala popular brasileira, desde cedo, demonstrava uma tendência à próclise ('a levava'), especialmente em frases iniciadas por advérbios ou pronomes, e também por influência de outras línguas faladas na colônia. A forma 'levava-a' persistia na escrita formal e em contextos literários.
Atualidade no Brasil
Séculos XX-XXI — A norma culta brasileira adota a próclise ('a levava') como preferencial em muitos casos, mas a ênclise ('levava-a') ainda é considerada correta e é utilizada em contextos formais, literários e em algumas regiões ou por falantes que seguem mais estritamente a norma gramatical. A forma 'levava-a' é menos comum na fala cotidiana, mas reconhecida e usada em escrita formal.
Do latim 'levare', com o pronome 'a' (do latim 'illa').