passar-a-rasteira
Locução verbal formada pelo verbo 'passar' e o substantivo 'rasteira' (golpe dado com a perna para derrubar o adversário).
Origem
A expressão 'passar a rasteira' tem origem na junção do verbo 'passar' (mover-se, transpor) com o substantivo 'rasteira', que se refere a um golpe dado com o pé ou a perna na altura das canelas de alguém, com o objetivo de derrubá-lo. A origem de 'rasteira' remonta a 'rastejar', de 'rasteiro' (baixo, rente ao chão), possivelmente com influências do latim vulgar *rastellare, derivado de *rastellus (pequeno ancinho), pela ideia de varrer ou arrastar algo pelo chão. Inicialmente, o sentido era literal, ligado a ações físicas em lutas, jogos ou acidentes.
Mudanças de sentido
Sentido literal: derrubar fisicamente alguém com um golpe nas pernas.
Início da transição para o sentido figurado: prejudicar alguém de forma sorrateira, desleal ou traiçoeira, como se estivesse derrubando a pessoa sem que ela percebesse ou pudesse se defender.
Sentido figurado consolidado: agir de forma desonesta, ardilosa ou traiçoeira para obter vantagem sobre alguém, muitas vezes em contextos competitivos ou de poder. A conotação é fortemente negativa, associada à falta de ética e à malandragem.
Primeiro registro
Embora a consolidação do sentido figurado seja gradual, registros do uso da expressão em seu sentido de trapaça e deslealdade começam a aparecer em textos literários e documentos da época, indicando sua popularização no vocabulário coloquial brasileiro. (Referência: corpus_literatura_colonial.txt)
Momentos culturais
A expressão é frequentemente utilizada em obras literárias e teatrais que retratam a sociedade brasileira, a malandragem carioca e as relações de poder. Aparece em letras de samba e outros gêneros musicais que abordam o cotidiano e as artimanhas da vida urbana. (Referência: corpus_musica_popular_brasileira.txt)
Ganhou destaque em novelas e programas de humor, onde era usada para descrever situações de intriga e traição entre personagens, reforçando seu caráter pejorativo e popular. (Referência: corpus_televisao_brasileira.txt)
Conflitos sociais
A expressão é frequentemente empregada em debates políticos e sociais para acusar adversários de agirem de forma desleal ou antiética para obter poder ou vantagens. É comum em discussões sobre corrupção, jogos de interesse e manipulação. (Referência: corpus_noticias_politicas.txt)
Vida emocional
A expressão carrega um forte peso negativo, associado a sentimentos de traição, desconfiança, raiva e indignação. É usada para descrever ações que geram frustração e revolta nas vítimas e observadores. A palavra evoca a ideia de uma 'queda' inesperada e injusta.
Vida digital
A expressão é amplamente utilizada nas redes sociais, em comentários sobre política, esportes e entretenimento. É comum em memes que satirizam situações de trapaça ou deslealdade. Hashtags como #passararasteira e variações são usadas para comentar eventos ou comportamentos. (Referência: corpus_redes_sociais.txt)
Buscas por 'passar a rasteira' em motores de busca geralmente se referem a exemplos de deslealdade em diferentes esferas da vida, ou a buscas por estratégias para evitar ser vítima de tal ação. A viralização ocorre em vídeos curtos que ilustram a ação de forma cômica ou dramática.
Representações
A expressão é recorrente em diálogos de filmes, séries e novelas brasileiras, especialmente em tramas que envolvem conflitos de interesse, disputas por poder, traições amorosas ou profissionais. Personagens 'malandros' ou 'vilões' são frequentemente associados a essa prática. (Referência: corpus_roteiros_audiovisual.txt)
Origem e Evolução Inicial
Século XVI - Início da formação da expressão, ligada a ações físicas de derrubar ou desequilibrar, possivelmente com influências de jogos e lutas. A ideia de trapaça começa a se consolidar.
Consolidação do Sentido Figurado
Séculos XVII-XIX - A expressão se estabelece no vocabulário coloquial brasileiro, migrando do sentido literal de derrubar fisicamente para o sentido figurado de prejudicar alguém de forma sorrateira ou desleal, especialmente em contextos sociais e de negócios.
Popularização e Diversificação
Século XX - A expressão se torna amplamente conhecida e utilizada em todo o Brasil, aparecendo em diversas situações do cotidiano, na literatura popular e em discursos sobre ética e moralidade. Ganha nuances de malandragem e astúcia.
Uso Contemporâneo e Digital
Século XXI - A expressão mantém sua força no português brasileiro, sendo frequentemente usada em contextos políticos, esportivos, corporativos e nas redes sociais. Adapta-se a novas formas de comunicação, incluindo memes e gírias digitais.
Locução verbal formada pelo verbo 'passar' e o substantivo 'rasteira' (golpe dado com a perna para derrubar o adversário).