vindes
Do latim 'venire', vir.
Origem
Deriva do verbo latino 'venire' (vir), especificamente da forma verbal 'venitis', que correspondia à segunda pessoa do plural do presente do indicativo.
A forma 'vindes' se consolidou na transição do latim para o galaico-português, mantendo a conjugação verbal.
Mudanças de sentido
A forma 'vindes' era a conjugação padrão para a segunda pessoa do plural, sem alteração de sentido intrínseco, apenas indicando a ação de vir para um grupo de interlocutores.
Perdeu sua função comunicativa primária na fala cotidiana, tornando-se um marcador de formalidade, arcaísmo ou estilo literário/religioso. O sentido de 'vir' permanece, mas o uso da forma verbal é o que mudou drasticamente.
A substituição por 'vocês vêm' ou 'vocês vão' reflete uma mudança gramatical e social mais ampla na língua portuguesa brasileira, onde 'vocês' se tornou o pronome de tratamento predominante para a segunda pessoa do plural, e o verbo se ajustou a essa nova norma.
Primeiro registro
Registros em textos medievais em galaico-português, como as cantigas de amigo e de amor, já apresentam a conjugação verbal correspondente.
Momentos culturais
Presente em obras literárias clássicas portuguesas e brasileiras coloniais, como em sermões religiosos e crônicas históricas, denotando um registro culto e formal.
Aparece esporadicamente em obras que buscam evocar um passado ou um registro mais erudito, ou em adaptações de textos antigos.
Comparações culturais
Inglês: A forma 'ye' ou 'you' (no plural arcaico) para a segunda pessoa do plural do presente do indicativo do verbo 'to come' (you come) teve um declínio similar, sendo 'you' o pronome universal. Espanhol: A forma 'venís' (vós vindes) no presente do indicativo é usada em algumas regiões da Espanha (principalmente em Castela e Leão, Astúrias e Galiza), mas em grande parte da América Latina e em outras partes da Espanha, 'ustedes vienen' é a norma. O português brasileiro 'vindes' é mais arcaico e menos presente em dialetos regionais do que o 'venís' em certas áreas hispânicas.
Relevância atual
A palavra 'vindes' é considerada arcaica no português brasileiro. Seu uso é praticamente inexistente na comunicação oral cotidiana, sendo encontrada apenas em contextos específicos como literatura clássica, textos religiosos mais antigos, ou como um recurso estilístico para evocar formalidade, antiguidade ou um tom poético. A norma culta contemporânea para a segunda pessoa do plural é 'vocês vêm' ou 'vocês vão'.
Origem Latina e Formação do Português
Século XII-XIII — Deriva do latim 'venire' (vir), na forma verbal 'venitis' (vós vindes). A conjugação verbal se estabelece com a evolução do latim vulgar para o galaico-português.
Uso Arcaico e Formal
Séculos XV-XVIII — A forma 'vindes' é comum na escrita e na fala formal, especialmente em textos religiosos e literários. Corresponde à segunda pessoa do plural do presente do indicativo, usada para se dirigir a um grupo.
Declínio do Uso e Substituição
Séculos XIX-XX — Com a simplificação da conjugação verbal e a ascensão do pronome 'vocês' (derivado de 'Vossa Mercê'), a forma 'vindes' começa a cair em desuso na fala cotidiana, sendo gradualmente substituída por 'vocês vêm' ou 'vocês vão'.
Uso Contemporâneo e Preservação
Século XXI — 'Vindes' é raramente utilizada na comunicação informal brasileira. Seu uso é restrito a contextos literários, religiosos (em traduções mais antigas ou litúrgicas), ou como marca de arcaísmo e formalidade extrema, muitas vezes com um tom irônico ou poético.
Do latim 'venire', vir.