aborrecem-se
Derivado do verbo 'aborrecer' com o pronome reflexivo 'se'.
Origem
Do latim 'abhorrescere', composto por 'ab-' (afastamento, separação) e 'horrere' (arrepiar-se, ter pavor, sentir horror). A ideia original é de um afastamento causado por horror ou repulsa.
Mudanças de sentido
Sentir horror, repugnar, ter aversão intensa.
Manutenção do sentido de aversão e repulsa, mas também início da conotação de causar desgosto ou tristeza.
Predominância do sentido de sentir tédio, enfado, impaciência ou descontentamento. → ver detalhes
A transição de um sentimento ativo de repulsa para um estado mais passivo de tédio ou enfado reflete uma mudança na forma como as emoções negativas são expressas e percebidas. Enquanto 'aborrecer' no sentido original implicava uma ação de evitar algo detestado, 'aborrecer-se' no uso contemporâneo descreve um estado interno de desânimo ou impaciência, muitas vezes diante da monotonia ou da falta de estímulo.
Primeiro registro
Registros em textos medievais em latim vulgar e nos primórdios da língua portuguesa já indicam o uso do verbo com o sentido de aversão e repulsa. A forma pronominal 'aborrecer-se' se desenvolve posteriormente.
Momentos culturais
Presente em obras literárias de Camões e outros autores, onde o sentido de aversão ou melancolia é frequentemente explorado.
A palavra e suas variações aparecem em letras de músicas para expressar descontentamento, tédio ou a monotonia da vida cotidiana, como em canções que retratam o cotidiano urbano ou rural.
Vida emocional
Associada a sentimentos de desânimo, tédio, impaciência e leve frustração. Geralmente, não carrega o peso de emoções mais intensas como raiva ou tristeza profunda, mas indica um estado de insatisfação.
Vida digital
Presente em memes e comentários online para expressar tédio ou descontentamento com conteúdos repetitivos ou situações cotidianas.
Usada em redes sociais para descrever a sensação de 'estar de saco cheio' ou entediado com algo.
Representações
Personagens frequentemente expressam 'aborrecem-se' em diálogos para indicar descontentamento com rotinas, relacionamentos ou eventos sociais, retratando o tédio ou a impaciência de forma realista.
Comparações culturais
Inglês: 'to get bored', 'to be fed up'. Espanhol: 'aburrirse', 'estar harto'. Francês: 's'ennuyer'. Alemão: 'sich langweilen'.
Relevância atual
A palavra 'aborrecem-se' mantém sua relevância no português brasileiro como um termo comum e acessível para descrever estados de tédio e impaciência, sendo parte integrante do vocabulário cotidiano e digital.
Origem Latina e Primeiros Usos
Século XIII - Deriva do latim 'abhorrescere', que significa 'sentir horror', 'repugnar', 'evitar'. Inicialmente, o verbo 'aborrecer' referia-se a um sentimento forte de aversão ou repulsa.
Evolução do Sentido: De Repulsa a Tédio
Idade Média e Renascimento - O sentido de aversão e repulsa se mantém. Século XVII e XVIII - Começa a surgir o sentido de 'causar enfado', 'entristecer', 'desgostar'. O foco se desloca da repulsa ativa para um estado de descontentamento passivo.
Consolidação no Português e Uso Brasileiro
Século XIX e XX - O sentido de 'sentir tédio', 'enfado' ou 'impaciência' se consolida como o principal. A forma pronominal 'aborrecer-se' torna-se comum para expressar esse estado de desânimo ou impaciência pessoal.
Uso Contemporâneo no Brasil
Atualidade - 'Aborrecem-se' é amplamente utilizado no português brasileiro para descrever o estado de quem está entediado, impaciente ou desgostoso com uma situação. O termo mantém a conotação de um estado emocional negativo, mas geralmente menos intenso que a repulsa original.
Derivado do verbo 'aborrecer' com o pronome reflexivo 'se'.