agradamo-nos
Do latim 'ad gradare', que significa 'dar passos', 'aproximar-se', evoluindo para o sentido de 'ser agradável'.
Origem
Deriva do latim 'ad gratum', significando 'ao gosto', 'agradável'. O verbo 'agradar' surgiu no português a partir dessa base latina.
A terminação '-mos' indica a primeira pessoa do plural do presente do indicativo. O pronome '-nos' confere à forma um caráter reflexivo ou recíproco, indicando que o sujeito (nós) realiza a ação de agradar sobre si mesmo ou sobre os outros membros do grupo.
Mudanças de sentido
A forma 'agradamo-nos' era uma construção gramaticalmente correta e comum, indicando 'nós nos agradamos' ou 'nós agradamos a nós mesmos'.
Tornou-se rara e formal. A preferência gramatical e de uso migrou para 'nós nos agradamos' (ênclise após 'nós') ou, mais frequentemente no Brasil, para construções com 'a gente', como 'a gente se agrada'.
Hoje, seu uso é mais uma escolha estilística para evocar um registro formal, literário ou arcaico, do que uma forma natural de expressão.
Primeiro registro
Registros em textos medievais em português, como crônicas e obras literárias, onde a ênclise pronominal era a norma predominante. Exemplos podem ser encontrados em textos de Gil Vicente ou em crônicas históricas da época.
Momentos culturais
Presente em obras literárias dos séculos XVI a XIX, onde a formalidade e a estrutura gramatical da época ditavam o uso da ênclise. Autores como Camões, em contextos mais formais, poderiam empregar construções similares.
Utilizada em poesia e prosa para manter a métrica, a rima ou um tom elevado e formal, característico desses períodos literários.
Comparações culturais
Inglês: A construção reflexiva correspondente seria 'we please ourselves' ou 'we like each other', onde o pronome reflexivo ('ourselves') ou mútuo ('each other') é explícito e a estrutura verbal é mais direta. A forma arcaica 'agradamo-nos' não tem um equivalente direto em termos de estrutura pronominal em inglês moderno.
Espanhol: Corresponde a 'nos agradamos' ou 'nos gustamos'. O espanhol mantém a ênclise pronominal de forma mais consistente em certos contextos, tornando a estrutura mais próxima do português arcaico do que o inglês moderno. A forma 'agradamos' (sem o pronome) pode significar 'agradamos a alguém', enquanto 'nos agradamos' é reflexivo/recíproco.
Francês: Seria 'nous nous plaisons' (nós nos agradamos) ou 'nous nous aimons' (nós nos amamos). O francês utiliza o pronome reflexivo 'nous' antes do verbo ('nous nous plaisons'), seguindo a tendência da próclise, similar ao português moderno 'nós nos agradamos'.
Relevância atual
No português brasileiro, 'agradamo-nos' é uma forma gramaticalmente correta, mas raramente utilizada na comunicação cotidiana ou mesmo formal. Seu uso é percebido como pedante ou excessivamente erudito fora de contextos específicos como literatura de época ou estudos linguísticos. A tendência é a preferência por 'nós nos agradamos' ou 'a gente se agrada'.
Origem Latina e Formação
Século XIII - O verbo 'agradar' deriva do latim 'ad gratum', que significa 'ao gosto', 'agradável'. A forma 'agradamo-nos' é uma construção pronominal reflexiva, comum no português arcaico e medieval, indicando que a ação de agradar recai sobre o próprio sujeito.
Evolução e Uso na Língua Portuguesa
Idade Média a Século XIX - A forma 'agradamo-nos' era mais frequente em textos literários e formais. Com o tempo, a tendência da língua portuguesa foi simplificar a colocação pronominal, preferindo formas como 'nós nos agradamos' ou, mais coloquialmente, 'a gente se agrada'.
Uso Contemporâneo no Português Brasileiro
Século XX e Atualidade - A forma 'agradamo-nos' é considerada arcaica e formal no português brasileiro contemporâneo. Seu uso é restrito a contextos literários de época, citações históricas ou para evocar um estilo mais erudito e formal. O uso coloquial e mesmo formal moderno prefere 'nós nos agradamos' ou 'a gente se agrada'.
Do latim 'ad gradare', que significa 'dar passos', 'aproximar-se', evoluindo para o sentido de 'ser agradável'.