agradavamo-nos
Do latim 'adgradare', significando aproximar, chegar perto; com o pronome 'nos' do latim 'nos'.
Origem
Deriva do latim 'ad gratum', significando 'ao gosto', 'agradável'. O verbo 'agradar' se formou a partir dessa raiz. A estrutura 'agradavamo-nos' é uma construção gramatical do português.
Mudanças de sentido
O sentido original de 'agradar' é o de causar satisfação, prazer ou contentamento a alguém. A forma 'agradavamo-nos' carrega esse sentido em sua conjugação.
O sentido do verbo 'agradar' permanece o mesmo, mas a forma 'agradavamo-nos' adquiriu um peso de formalidade e arcaísmo, sendo raramente usada em contextos modernos.
A palavra em si ('agradar') continua a ser amplamente utilizada, mas a construção específica com ênclise ('agradavamo-nos') é vista como um marcador de tempo e estilo, não de uma mudança semântica intrínseca ao verbo.
Primeiro registro
Registros de construções com ênclise, como 'agradavamo-nos', podem ser encontrados em textos do português arcaico, a partir do século XIII, em documentos e crônicas. A forma exata pode variar ligeiramente dependendo da transcrição e do dialeto.
Momentos culturais
A forma 'agradavamo-nos' pode aparecer em obras literárias do século XIX e início do XX, como em romances de Machado de Assis ou José de Alencar, onde a norma culta da época era mais conservadora em relação à ênclise.
É extremamente improvável encontrar a forma 'agradavamo-nos' em letras de música popular brasileira moderna, que tendem a usar construções mais informais e próclises ou formas como 'a gente se agradava'.
Conflitos sociais
O uso da ênclise ('agradavamo-nos') em oposição à próclise ('nos agradávamos') ou a formas mais coloquiais ('a gente se agradava') reflete um conflito histórico entre a norma culta escrita e a fala cotidiana, especialmente no português brasileiro, que tende a preferir a próclise em muitos contextos onde a ênclise seria gramaticalmente correta.
Vida emocional
A forma 'agradavamo-nos' evoca sentimentos de formalidade, erudição, distanciamento temporal e, para alguns, uma certa rigidez gramatical. Não carrega um peso emocional intrínseco, mas sim um peso estilístico e histórico.
Vida digital
Buscas por 'agradavamo-nos' geralmente estão ligadas a dúvidas gramaticais, pesquisa de textos antigos ou curiosidade sobre a evolução da língua. Não é uma palavra comum em memes ou viralizações, dada sua natureza arcaica e formal.
Representações
Pode ser encontrada em diálogos de personagens em novelas, filmes ou séries que retratam épocas passadas (século XIX, início do XX) ou que buscam conferir um tom de sofisticação ou antiguidade aos personagens.
Comparações culturais
Inglês: A estrutura de ênclise com pronomes oblíquos átonos não existe no inglês moderno. A tradução seria 'we pleased ourselves' ou 'we were pleasing ourselves', onde o pronome vem após o verbo principal ou é parte de uma construção reflexiva. Espanhol: O espanhol também utiliza a ênclise em certas construções, especialmente com o infinitivo, gerúndio e imperativo (ex: 'agradábamos nos' seria a forma mais próxima em termos de colocação pronominal, embora a conjugação e o uso possam diferir ligeiramente). Francês: O francês moderno prefere a próclise ('nous nous plaisions'), similar à tendência do português brasileiro moderno, embora o francês antigo pudesse ter construções diferentes.
Origem Latina e Formação do Português
Século XII-XIII — O verbo 'agradar' deriva do latim 'ad gratum', que significa 'ao gosto', 'agradável'. A forma 'agradavamo-nos' surge da junção do verbo 'agradar' (com sua conjugação no pretérito imperfeito do indicativo, 1ª pessoa do plural: agradávamos) com o pronome oblíquo átono 'nos' em ênclise, uma construção comum no português arcaico e medieval.
Uso Medieval e Moderno Inicial
Séculos XIV-XVIII — A ênclise ('agradavamo-nos') era a norma gramatical predominante, especialmente no início e meio de frases. A forma era utilizada em textos literários e documentos oficiais, refletindo a norma culta da época. A construção era natural e não marcada.
Mudança Gramatical e Declínio da Ênclise
Séculos XIX-XX — Com a influência do português europeu e a gradual mudança na sintaxe do português brasileiro, a próclise (pronome antes do verbo, ex: 'nos agradávamos') começou a ganhar espaço, especialmente em contextos informais e na fala. A ênclise em 'agradavamo-nos' tornou-se menos comum na fala cotidiana, mas persistiu na escrita formal e literária.
Uso Contemporâneo e Contexto Digital
Século XXI — A forma 'agradavamo-nos' é considerada arcaica e formal na maioria dos contextos do português brasileiro. Seu uso é restrito à literatura clássica, textos acadêmicos com citações históricas ou em tentativas estilísticas de evocar um tom mais erudito ou antigo. Na fala e na escrita informal, a forma preferencial seria 'nós nos agradávamos' ou, mais comumente, 'a gente se agradava'.
Do latim 'adgradare', significando aproximar, chegar perto; com o pronome 'nos' do latim 'nos'.