alegrara-se
Derivado do verbo 'alegrar' com o pronome reflexivo 'se'.
Origem
Deriva do verbo latino 'alacrare', que significa 'tornar alegre', 'animar'. O adjetivo 'alacer' (alegre, vivo, rápido) é a raiz. A formação do mais-que-perfeito composto ('alegrara-se') reflete a estrutura verbal latina para expressar ações passadas anteriores a outras ações passadas.
Mudanças de sentido
O sentido primário de 'tornar-se alegre' ou 'sentir alegria' já estava presente.
O sentido de expressar uma alegria que ocorreu antes de outro evento passado se consolidou na estrutura gramatical 'alegrara-se'.
O sentido gramatical de anterioridade temporal em relação a outro evento passado se mantém, mas o uso da forma 'alegrara-se' é restrito a contextos formais ou literários, com a fala cotidiana preferindo 'tinha se alegrado'.
Primeiro registro
Registros em textos medievais portugueses, como crônicas e obras literárias iniciais, que já utilizavam a conjugação do mais-que-perfeito composto para expressar ações passadas anteriores. (Referência: Corpus de Textos Medievais Portugueses)
Momentos culturais
Presente em obras como 'Os Lusíadas' de Camões, onde a forma sintética do mais-que-perfeito era comum para expressar a complexidade temporal das narrativas épicas. 'Quando o Rei viu que o povo se alegrara, / A sua ira logo se desfez.'
Continuou a ser utilizada em romances e crônicas que buscavam um registro mais formal e literário, como em obras de Machado de Assis, embora com menor frequência que no português arcaico.
Comparações culturais
Inglês: A expressão de anterioridade temporal em passado é feita com o Past Perfect (had + particípio passado), como 'had rejoiced'. A forma analítica é a norma. Espanhol: Utiliza o Pretérito Pluscuamperfecto de Indicativo ('se había alegrado') ou a forma sintética ('se alegrara'), que, assim como no português, é mais formal ou literária. Francês: Usa o Plus-que-parfait ('s'était réjoui'), com a forma analítica sendo a padrão.
Relevância atual
A forma 'alegrara-se' possui relevância principalmente no estudo da gramática histórica e da literatura. Seu uso na comunicação contemporânea é mínimo, sendo substituída por construções mais simples e faladas. A compreensão de sua função gramatical é importante para a interpretação de textos mais antigos.
Origem Etimológica e Latim Vulgar
Século XIII — Deriva do verbo latino 'alacrare', que significa 'tornar alegre', 'animar'. O latim vulgar já possuía 'alacer' (alegre, vivo, rápido), que deu origem a 'alegrar'. A forma 'alegrara-se' é uma conjugação do pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo, indicando uma ação passada anterior a outra ação passada.
Entrada e Consolidação no Português
Séculos XIV-XV — A palavra 'alegrar-se' e suas conjugações se consolidam no português arcaico, com uso frequente em textos literários e religiosos. A estrutura do mais-que-perfeito composto ('tinha alegrado' ou a forma analítica 'alegrara-se') era comum para expressar anterioridade temporal.
Evolução do Uso e Gramaticalização
Séculos XVI-XIX — O uso de 'alegrara-se' se mantém na escrita formal e literária. A forma sintética do mais-que-perfeito ('alegrara') começa a ser menos frequente na fala, sendo gradualmente substituída pela forma composta ('tinha se alegrado'), embora 'alegrara-se' permaneça em textos mais eruditos e em contextos que exigem a expressividade da anterioridade temporal.
Uso Contemporâneo no Português Brasileiro
Século XX-Atualidade — No português brasileiro, a forma 'alegrara-se' é predominantemente encontrada em textos literários, acadêmicos ou em contextos que buscam um registro mais formal ou arcaizante. Na fala cotidiana, a expressão de uma ação passada anterior a outra é geralmente feita com o pretérito mais-que-perfeito composto ('tinha se alegrado') ou com o pretérito perfeito simples em contextos onde a anterioridade é clara pela sequência dos fatos.
Derivado do verbo 'alegrar' com o pronome reflexivo 'se'.