apartou-se
Do latim 'apparte', que significa separar, dividir.
Origem
Deriva do latim 'appărtāre', que significa 'dividir', 'separar', 'distribuir'. O sufixo '-ar' indica a formação verbal, e o pronome 'se' indica a ação recíproca ou reflexiva, ou ainda, a intransitivização do verbo.
Mudanças de sentido
Principalmente 'separar fisicamente', 'dividir', 'afastar-se de um lugar ou pessoa'.
Mantém os sentidos originais e adiciona 'discordar', 'desviar-se de um caminho ou opinião', 'retirar-se de uma situação'.
Os sentidos de separação física e de desvio de opinião ou situação permanecem os mais comuns. O uso é direto e sem grandes ressignificações.
A forma 'apartou-se' é utilizada em contextos que vão desde a separação de objetos ('O juiz apartou as caixas') até a separação de pessoas em conflito ('O professor apartou os alunos que brigavam') ou o afastamento de um grupo ('Ele apartou-se do grupo para pensar').
Primeiro registro
A forma verbal 'apartou-se' e o verbo 'apartar' já aparecem em textos medievais da língua portuguesa, como em crônicas e documentos legais, indicando a consolidação da palavra na língua.
Momentos culturais
Presente em obras de Camões e outros autores, frequentemente em contextos de separação, exílio ou desavença.
Utilizado por autores como Machado de Assis e Guimarães Rosa para descrever situações de afastamento social, conflito ou introspecção.
Vida digital
A forma 'apartou-se' é menos comum em buscas diretas e mais presente em textos que citam ou analisam literatura clássica ou em contextos formais.
A forma pronominal 'se apartou' pode aparecer em discussões sobre gramática ou em contextos informais onde a próclise é preferida.
Representações
A forma 'apartou-se' pode ser usada em diálogos para descrever cenas de separação física, brigas que foram interrompidas ou personagens que se isolam emocionalmente.
Comparações culturais
Inglês: 'He separated himself' ou 'He parted'. Espanhol: 'Se apartó' ou 'Se separó'. O uso do pronome reflexivo é comum em todas as línguas para expressar a ideia de afastamento ou separação voluntária.
Relevância atual
A forma 'apartou-se' mantém sua relevância como uma conjugação verbal correta e amplamente compreendida no português brasileiro, especialmente em contextos formais e literários. A variação com a próclise ('se apartou') reflete as tendências da língua falada e escrita contemporânea no Brasil.
Origem Latina e Formação do Verbo
Século XIII — O verbo 'apartar' deriva do latim 'appărtāre', que significa 'dividir', 'separar', 'distribuir'. A forma 'apartou-se' surge da conjugação do verbo no pretérito perfeito do indicativo (terceira pessoa do singular) com o pronome oblíquo átono 'se' em ênclise, um padrão comum na formação de verbos pronominais na língua portuguesa.
Evolução no Português Antigo e Clássico
Séculos XIV-XVIII — O uso de 'apartou-se' já era estabelecido na língua, com o sentido de separar fisicamente, afastar-se de um lugar ou pessoa, ou ainda, no sentido figurado, de discordar ou desviar-se de um caminho. A ênclise do pronome 'se' era a norma gramatical predominante.
Modernização e Variação de Uso
Séculos XIX-XX — O sentido de separação física e de desvio de opinião se mantém. O verbo 'apartar' e suas conjugações, incluindo 'apartou-se', são amplamente utilizados na literatura e na fala cotidiana. A preferência pela ênclise em 'apartou-se' continua, embora a próclise ('se apartou') comece a ganhar espaço em contextos específicos, especialmente com a influência de outras línguas e a simplificação gramatical.
Uso Contemporâneo no Português Brasileiro
Século XXI — 'Apartou-se' é uma forma verbal perfeitamente compreendida e utilizada no português brasileiro, mantendo seus sentidos originais de separação física, afastamento ou desvio. A ênclise é ainda comum, mas a próclise ('se apartou') é cada vez mais frequente, especialmente na linguagem falada e informal, refletindo a tendência de anteposição do pronome oblíquo átono no Brasil.
Do latim 'apparte', que significa separar, dividir.