aplicar-nos-emos
Do latim 'applicare'.
Origem
Do latim 'applicare', que significa 'juntar', 'encostar', 'dirigir', 'dedicar'. O verbo 'aplicar' chegou ao português através do latim vulgar.
Mudanças de sentido
Significado literal de juntar, encostar, dirigir.
Expandiu-se para 'dedicar-se a algo', 'empregar com diligência', 'usar com um propósito específico'.
O sentido de 'dedicar-se' ou 'empregar esforço' permanece, mas a forma verbal 'aplicar-nos-emos' carrega um peso de formalidade extrema e arcaísmo, sendo raramente usada para transmitir o sentido em si.
Primeiro registro
Registros de textos em português arcaico, a partir do século XIII, já apresentam conjugações verbais com pronomes pospostos, embora a forma específica 'aplicar-nos-emos' possa ter se consolidado em períodos posteriores, como nos séculos XVI e XVII, em obras literárias e jurídicas.
Momentos culturais
Presente em obras literárias clássicas e documentos oficiais, refletindo a norma culta da época. Exemplos podem ser encontrados em textos de Camões, Padre Antônio Vieira e na legislação colonial.
Ainda utilizada em textos acadêmicos e literários de alta formalidade, mas já começando a dar lugar a construções mais modernas em contextos menos rígidos.
Conflitos sociais
A distinção entre o uso formal e informal da língua, exemplificada pela preferência por 'nós nos aplicaremos' em detrimento de 'aplicar-nos-emos', reflete um conflito social entre a norma culta tradicional e a evolução natural da língua falada e escrita, especialmente no Brasil, onde a variação linguística é mais acentuada.
Vida emocional
A forma 'aplicar-nos-emos' evoca um sentimento de distanciamento, formalidade excessiva e, para muitos falantes brasileiros, uma certa estranheza ou até mesmo pedantismo. Não carrega um peso emocional positivo no uso cotidiano, sendo associada a um registro linguístico antiquado.
Vida digital
A forma 'aplicar-nos-emos' raramente aparece em contextos digitais informais. Quando surge, é geralmente em discussões sobre gramática, em citações de textos antigos ou como exemplo de 'português de antigamente'. Buscas por esta forma específica tendem a retornar resultados sobre regras gramaticais ou exemplos literários.
Representações
Em filmes, séries ou novelas brasileiras, o uso de 'aplicar-nos-emos' seria reservado para personagens que representam figuras de autoridade muito tradicionais, acadêmicos de eras passadas, ou em cenas que intencionalmente buscam um efeito cômico ou de anacronismo linguístico.
Comparações culturais
Inglês: A construção equivalente em inglês seria 'we shall apply ourselves', que também soa formal e arcaica, sendo mais comum 'we will apply ourselves' ou 'we're going to apply ourselves'. Espanhol: Em espanhol, a forma 'nos aplicaremos' é a padrão e natural para o futuro do indicativo com pronome posposto, sem o peso de arcaísmo que 'aplicar-nos-emos' tem no português brasileiro. O espanhol mantém com mais naturalidade a posposição pronominal em muitos contextos onde o português brasileiro a abandonou.
Relevância atual
No português brasileiro contemporâneo, 'aplicar-nos-emos' tem relevância quase nula no uso falado e informal. Sua importância reside no estudo da história da língua, na gramática normativa e na análise de textos literários e históricos. A forma preferencial e natural é 'nós nos aplicaremos' ou construções mais simples como 'vamos nos aplicar'.
Origem Latina e Formação do Verbo
Século XIII - O verbo 'aplicar' deriva do latim 'applicare', que significa 'juntar', 'encostar', 'dirigir'. A forma verbal 'aplicar-nos-emos' é uma construção gramatical que se consolidou no português ao longo dos séculos, seguindo as regras de conjugação verbal e o uso de pronomes oblíquos pospostos, característica do português arcaico e formal.
Uso Formal e Arcaico
Séculos XVI a XIX - A construção com pronome posposto ('aplicar-nos-emos') era comum na escrita formal e literária, refletindo a norma culta da época. O sentido de 'aplicar' se expandiu para 'dedicar-se', 'empregar', 'usar com propósito'.
Declínio do Uso Formal e Mudança Sintática
Século XX - Com a evolução da língua e a simplificação da sintaxe, especialmente no português brasileiro, o uso do pronome posposto em inícios de frase ou após verbos no futuro do indicativo tornou-se raro. A forma 'nós nos aplicaremos' passou a ser a preferencial e mais natural.
Uso Contemporâneo e Contexto Digital
Atualidade - A forma 'aplicar-nos-emos' é considerada arcaica e excessivamente formal no português brasileiro contemporâneo. Seu uso é restrito a contextos literários muito específicos, documentos históricos ou como exemplo de gramática normativa antiga. No uso coloquial e na internet, a forma 'nós nos aplicaremos' ou construções mais simples como 'vamos nos aplicar' são predominantes.
Do latim 'applicare'.