aquele
Do latim 'eccum ille'.
Origem
Formado pela aglutinação de ECCUM (eis, aqui está) + ILLE (aquele, aquele ali), resultando em formas como 'achille' e posteriormente 'aquele' no galaico-português.
Mudanças de sentido
Inicialmente com forte valor deíctico, indicando algo distante no espaço ou tempo. A combinação com ECCUM reforça a ideia de 'eis aquele'.
A evolução de ECCUM ILLE para 'aquele' demonstra um processo de simplificação e aglutinação comum na formação das línguas românicas, onde a ênfase na demonstração ('eis') se funde com o demonstrativo de terceira pessoa ('aquele').
Expande seu uso para funções anafóricas (referir-se a algo já mencionado), mantendo a ideia de distância ou distinção. Também pode indicar algo abstrato ou hipotético.
Em português brasileiro, 'aquele' é amplamente utilizado em contextos formais e informais, funcionando como pronome ou adjetivo demonstrativo. Sua forma contraída com preposições (daquele, naquele, àquele) é extremamente comum.
Primeiro registro
Registros em textos em galaico-português, como os Cancioneiros Medievais.
Momentos culturais
Presente em obras de Camões, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, entre outros, sendo um elemento gramatical essencial para a construção narrativa e a caracterização de personagens e cenários.
Frequentemente utilizado em letras de músicas para evocar sentimentos, memórias ou situações específicas, como em 'Aquele Abraço' de Gilberto Gil ou 'Aquele Beijo' de Ivete Sangalo.
Vida digital
A palavra 'aquele' é ubíqua na internet, aparecendo em buscas, posts, comentários e mensagens. É parte integrante da linguagem digital, sem características de viralização ou memes próprios, mas fundamental para a comunicação online.
Representações
Frequentemente usada em títulos ou diálogos para criar um senso de especificidade, nostalgia ou mistério, como em 'Aquele Beijo' (novela) ou 'Aquele Cara' (filme).
Comparações culturais
Inglês: 'that' (pronome demonstrativo, com funções similares de apontar e referir). Espanhol: 'aquel' (pronome demonstrativo, com origem e uso muito próximos ao português, derivado do latim ECCUM ILLE). Francês: 'celui-là' / 'celle-là' (pronome demonstrativo, com estrutura mais complexa para indicar distância).
Relevância atual
Mantém-se como um dos pilares gramaticais do português brasileiro, essencial para a clareza e precisão na comunicação oral e escrita em todos os registros linguísticos. Sua função deíctica e anafórica é indispensável.
Origem Latina e Formação
Séculos IX-XI — Deriva do pronome demonstrativo latino ECCUM + ILLE, que evoluiu para formas como 'achille' ou 'aquele' no galaico-português arcaico.
Consolidação no Português
Séculos XII-XV — Estabelece-se como pronome demonstrativo fundamental na língua portuguesa, com funções deícticas (apontar) e anafóricas (referir-se ao já dito).
Uso Moderno e Contemporâneo
Séculos XVI - Atualidade — Mantém suas funções gramaticais básicas, com variações de uso e registro em diferentes contextos sociais e regionais do português brasileiro.
Do latim 'eccum ille'.