atormentar-nos-emos
Derivado do verbo 'atormentar' (do latim 'atormentare').
Origem
Deriva do latim 'tormentare', intensivo de 'torquere' (torcer, retorcer, torturar). O sufixo '-are' indica ação, e o prefixo 'at-' intensifica o sentido. A forma 'atormentar-nos-emos' é uma conjugação verbal específica: futuro do presente do indicativo, 1ª pessoa do plural ('nós'), com pronome oblíquo átono enclítico ('nos').
Mudanças de sentido
Sentido original de causar grande aflição, dor física ou moral, tortura.
O sentido de aflição mental, preocupação excessiva e angústia se consolida. A forma 'atormentar-nos-emos' mantém esse sentido, mas sua estrutura gramatical se torna o principal ponto de atenção.
O verbo 'atormentar' permanece com o sentido de causar aflição. No entanto, a conjugação 'atormentar-nos-emos' é raramente usada, sendo percebida como excessivamente formal ou arcaica, perdendo sua carga semântica original para dar lugar à sua forma gramatical obsoleta.
Primeiro registro
Registros de formas verbais com pronomes enclíticos em textos antigos da língua portuguesa, como as cantigas medievais e crônicas. A forma específica 'atormentar-nos-emos' pode ser encontrada em manuscritos literários e jurídicos da época, embora a documentação exata seja difícil de precisar sem um corpus linguístico específico.
Momentos culturais
A conjugação com pronome enclítico era a norma em textos literários, como em obras de Camões ou em crônicas históricas, onde a formalidade exigia essa estrutura. A palavra 'atormentar' era frequentemente usada para descrever sofrimentos intensos, sejam eles físicos ou espirituais.
Com a evolução da norma culta e a influência do português falado no Brasil, a próclise ('nos atormentaremos') ganha força, relegando a enclise a contextos muito específicos e formais. A forma 'atormentar-nos-emos' torna-se um traço de linguagem arcaica.
Comparações culturais
Inglês: A forma verbal correspondente seria 'we will torment ourselves'. A estrutura com pronome após o verbo ('torment ourselves') é a norma em inglês, mas a conjugação verbal ('will torment') é simples e não reflete a complexidade morfológica do português arcaico. O uso de 'ourselves' como pronome reflexivo é padrão.
Espanhol: A forma seria 'nos atormentaremos'. O espanhol também utiliza a próclise ('nos') antes do verbo reflexivo ('atormentaremos') na primeira pessoa do plural do futuro. A enclise ('atormentaremos nos') é possível em espanhol, mas menos comum no futuro e mais restrita a certos contextos ou dialetos, similar à tendência de desuso da enclise no português brasileiro.
Francês: 'Nous nous tourmenterons'. O francês utiliza a próclise ('nous') antes do verbo reflexivo ('nous tourmenterons'), seguindo uma estrutura similar ao português moderno e ao espanhol.
Relevância atual
A forma 'atormentar-nos-emos' tem relevância quase nula no uso cotidiano do português brasileiro. Sua presença é restrita a estudos de linguística histórica, gramática normativa de períodos antigos, ou como exemplo de arcaísmo em discussões sobre a evolução da língua. O verbo 'atormentar' em si continua sendo uma palavra comum, mas a conjugação específica é um vestígio linguístico.
Origem Latina e Formação
Século XIII - O verbo 'atormentar' deriva do latim 'tormentare', intensivo de 'torquere' (torcer, retorcer, torturar). A forma 'atormentar-nos-emos' é uma conjugação verbal específica do futuro do presente do indicativo, na primeira pessoa do plural, com pronome oblíquo átono enclítico ('nos'). Essa estrutura, embora gramaticalmente correta, é arcaica e raramente utilizada na fala e escrita contemporâneas.
Uso Arcaico e Literário
Séculos XIV a XIX - A forma 'atormentar-nos-emos' e outras conjugações com pronomes enclíticos eram mais comuns em textos literários e formais. O sentido original de causar tormento, aflição ou angústia se mantém, mas a construção gramatical começa a ceder espaço para formas mais sintéticas e para a próclise ('nos atormentaremos'), especialmente no português brasileiro.
Desuso Contemporâneo e Ressignificação
Século XX e Atualidade - Na oralidade e na escrita informal do português brasileiro, a forma 'atormentar-nos-emos' praticamente desapareceu. A preferência é por 'nos atormentaremos' (próclise) ou, em contextos mais informais, 'a gente vai se atormentar'. O verbo 'atormentar' em si continua vivo, mas a conjugação específica em questão tornou-se um marcador de arcaísmo ou de um registro linguístico extremamente formal e pouco usual.
Derivado do verbo 'atormentar' (do latim 'atormentare').