blasonar
Do francês 'blasonner', derivado de 'blason' (brasão).
Origem
Do francês antigo 'blason', que se referia a brasões de armas e à arte de descrevê-los. A raiz germânica 'blâsn' (soprar) pode aludir à ideia de inflar o peito de orgulho ou de anunciar algo com pompa.
Mudanças de sentido
Inicialmente, 'blasonar' significava descrever ou exibir brasões de nobreza. Paralelamente, desenvolveu-se o sentido de exibir ou ostentar feitos e qualidades nobres.
O sentido de ostentação se generaliza, passando a significar vangloriar-se, gabar-se, falar com excessivo orgulho de si ou de suas posses. Pode adquirir uma conotação pejorativa de exibicionismo vazio.
Essa mudança de foco do brasão para a autoexibição reflete uma transição de um sistema social baseado em linhagem para um onde o mérito (ou a aparência dele) ganha importância, mas também onde a crítica à ostentação se torna mais presente.
Mantém o sentido de vangloriar-se, mas seu uso é mais restrito a registros formais ou literários. Raramente usado na linguagem coloquial moderna, onde outras expressões como 'se gabar', 'se exibir' ou 'ostentar' são mais comuns.
Primeiro registro
Registros em crônicas e documentos da época que tratam de nobreza, brasões e feitos militares ou de linhagem.
Momentos culturais
Associado à valorização da linhagem e dos símbolos de status da nobreza, onde a descrição e exibição de brasões ('blasonar') era parte importante da identidade social.
Presente em obras literárias que retratam personagens orgulhosos, vaidosos ou que se vangloriam de suas conquistas, como em peças de teatro ou romances de cavalaria.
Comparações culturais
Inglês: 'To blazon' mantém o sentido original de descrever brasões e também o de exibir ou proclamar algo com ostentação. Espanhol: 'Blasonar' tem um uso similar ao português, referindo-se à descrição de brasões e à ostentação de qualidades ou feitos, embora também seja menos comum no uso diário. Francês: 'Blasonner' é o termo original para descrever brasões, e o conceito de ostentação é mais frequentemente expresso por 'se vanter' ou 'faire étalage'.
Relevância atual
A palavra 'blasonar' é considerada formal e um tanto arcaica no português brasileiro contemporâneo. Seu uso é restrito a contextos que exigem precisão terminológica (heráldica) ou em textos literários e históricos. No dia a dia, expressões mais diretas e coloquiais substituíram seu sentido de ostentação.
Origem Etimológica
Século XIV — do francês antigo 'blason' (brasão, escudo de armas), derivado do germânico 'blâsn' (soprar, inflar), possivelmente relacionado à ideia de ostentação ou exibição.
Entrada na Língua Portuguesa
Séculos XV-XVI — A palavra 'blasonar' e seus derivados entram no português, inicialmente ligados à heráldica e à descrição de brasões de nobreza. O sentido de ostentar qualidades ou feitos nobres também se desenvolve.
Evolução do Sentido
Séculos XVII-XIX — O sentido de 'ostentar', 'vangloriar-se' ou 'falar com orgulho de algo' se consolida, afastando-se do contexto estritamente heráldico e ganhando conotação de exibicionismo, por vezes negativo.
Uso Contemporâneo
Século XX-Atualidade — 'Blasonar' é uma palavra formal, dicionarizada, com uso menos frequente no cotidiano, mas presente em contextos literários, históricos ou em registros que descrevem a ostentação de status ou conquistas.
Do francês 'blasonner', derivado de 'blason' (brasão).