chegou-se
Derivado do latim vulgar *bambellicare, possivelmente de origem onomatopaica.
Origem
Deriva do verbo 'chegar', com origem no latim vulgar *casicare*, possivelmente relacionado a *casare* (cair, abater), com o sentido de 'atingir um lugar'. O pronome 'se' é uma adição posterior, com funções gramaticais diversas ao longo do tempo.
Mudanças de sentido
Sentido primário de 'atingir um local', 'alcançar um ponto'. Desenvolvimento do sentido de 'aproximar-se de' com a construção 'chegar-se a'.
Manutenção dos sentidos originais, com adição do sentido de 'alcançar um objetivo', 'atingir um estado' ou 'ser comunicado' (no caso de notícias, informações).
Os sentidos permanecem os mesmos, mas a frequência de uso da forma 'chegou-se' (ênclise) em detrimento de 'se chegou' (próclise) varia entre o registro formal e o informal, e entre diferentes regiões do Brasil.
Em contextos literários ou formais, 'chegou-se' pode carregar um peso de solenidade ou precisão. Em conversas informais, a tendência é a próclise, tornando a forma 'chegou-se' menos comum na fala cotidiana, mas ainda perfeitamente compreendida e utilizada em contextos específicos.
Primeiro registro
Registros em textos medievais em português, como as Cantigas de Santa Maria (embora em galego-português), já apresentam o verbo 'chegar' e construções com pronomes átonos pospostos, indicando a existência da forma 'chegou-se' ou suas variantes.
Momentos culturais
Presente em obras de Machado de Assis, José de Alencar e outros autores, onde a ênclise era a norma e o uso de 'chegou-se' era comum para descrever a chegada de personagens ou eventos.
A forma 'chegou-se' pode aparecer em letras de música, especialmente em gêneros que buscam uma linguagem mais formal ou poética, contrastando com a fala coloquial.
Comparações culturais
Inglês: A construção 'he arrived' ou 'he reached' não possui um pronome reflexivo intrínseco como o 'se' em português. A ideia de 'aproximar-se' pode ser expressa por 'he approached' ou 'he drew near'. Espanhol: A forma equivalente seria 'llegóse' (ênclise) ou 'se llegó' (próclise), com usos e nuances semelhantes ao português, refletindo a origem comum no latim. O espanhol também apresenta a variação entre ênclise e próclise dependendo do contexto e da região. Francês: 'il est arrivé' (ele chegou), 'il s'est approché' (ele se aproximou). O pronome reflexivo 'se' (s') é usado para verbos pronominais, mas a construção de 'chegar' em si não o exige intrinsecamente como em algumas construções portuguesas/espanholas.
Relevância atual
A forma 'chegou-se' mantém sua correção gramatical no português brasileiro, sendo mais frequente em textos escritos, discursos formais e em contextos literários. Na fala cotidiana, a tendência à próclise ('se chegou') é notável, mas a ênclise ainda é utilizada para ênfase ou por influência de registros mais formais. A palavra 'chegou' (sem o 'se') é, obviamente, a forma mais comum e genérica.
Origem Latina e Formação do Português
Século XII-XIII — O verbo 'chegar' tem origem no latim vulgar *casicare*, possivelmente relacionado a *casare* (cair, abater), com o sentido de 'atingir um lugar'. A forma 'chegou-se' surge com a consolidação do português como língua românica, incorporando o pronome 'se' que, em muitos casos, indicava ação reflexiva ou recíproca, ou, posteriormente, a partícula apassivadora ou o pronome de índice de indeterminação do sujeito. A construção 'chegar-se a' (aproximar-se de) é comum em português arcaico.
Evolução Medieval e Moderna
Idade Média a Século XVIII — A forma 'chegou-se' era utilizada em contextos literários e cotidianos, mantendo o sentido de 'atingiu um local' ou 'aproximou-se'. A colocação do pronome 'se' após o verbo (ênclise) era a norma gramatical predominante. O sentido de 'chegar' como alcançar um objetivo ou estado também se desenvolve.
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XIX até a Atualidade — No Brasil, a forma 'chegou-se' continua a ser usada, embora a próclise (pronome antes do verbo) tenha se tornado mais comum na fala coloquial, especialmente no início de frases ou após certas palavras. No entanto, a ênclise em 'chegou-se' é gramaticalmente correta e frequente em textos formais, literatura e em contextos onde se busca uma sonoridade mais clássica ou enfática. O sentido de 'atingir um local' ou 'alcançar um estado/objetivo' permanece central.
Derivado do latim vulgar *bambellicare, possivelmente de origem onomatopaica.