concedeu-lhe
Do latim 'concedere', significando dar, permitir, outorgar.
Origem
Deriva do latim 'concedere' (dar, permitir, ceder) + pronome oblíquo átono 'lhe' (contração de 'a ele/a ela').
Mudanças de sentido
O verbo 'concedere' tinha um sentido de dar ou permitir algo, muitas vezes com uma conotação de autoridade ou benevolência.
O sentido de 'dar, outorgar, permitir' se manteve, com a forma 'concedeu-lhe' sendo usada para expressar que uma autoridade ou entidade deu algo a alguém.
O sentido principal de 'dar, outorgar, permitir' permanece, mas o uso da forma 'concedeu-lhe' é mais restrito à escrita formal e literária, contrastando com a tendência à próclise ('lhe concedeu') na fala.
Primeiro registro
Registros em documentos medievais e crônicas em português antigo já demonstram o uso da estrutura verbal com pronome oblíquo em ênclise, como em 'concedeu-lhe'.
Momentos culturais
Presente em obras de Machado de Assis, José de Alencar e outros autores, onde a ênclise era a norma gramatical esperada em muitos contextos.
Utilizado em leis, decretos e sentenças para indicar a outorga de direitos ou permissões.
Comparações culturais
Inglês: A estrutura equivalente seria 'he/she granted him/her/them', onde o pronome objeto vem após o verbo. Não há uma contração direta como 'lhe'. Espanhol: 'le concedió' (ele/ela concedeu a ele/a ela). O pronome 'le' é usado antes do verbo (próclise) na maioria dos contextos, mas pode vir após em certas construções. Francês: 'il/elle lui accorda', onde 'lui' é um pronome indireto que precede o verbo.
Relevância atual
A forma 'concedeu-lhe' é um marcador de formalidade e erudição na língua portuguesa brasileira. Seu uso indica um domínio da norma culta, sendo comum em textos acadêmicos, literários, jurídicos e em discursos formais. A contraposição com a tendência à próclise ('lhe concedeu') na fala cotidiana é um ponto de interesse para estudos linguísticos sobre a variação e mudança linguística no Brasil.
Origem Latina e Formação
Século XIII - O verbo 'conceder' deriva do latim 'concedere', que significa 'dar, permitir, ceder'. A forma 'concedeu' é a terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo, formada a partir do radical de 'conceder'. O pronome 'lhe' é uma contração do pronome oblíquo átono 'a ele' ou 'a ela', que se tornou comum na língua portuguesa.
Evolução no Português
Idade Média - Século XIX - A estrutura 'verbo + lhe' (ênclise) se consolida na norma culta do português, sendo amplamente utilizada na escrita literária e formal. 'Concedeu-lhe' aparece em documentos oficiais, crônicas e obras literárias.
Uso Contemporâneo e Mudanças
Século XX - Atualidade - A norma culta mantém o uso de 'concedeu-lhe', mas a preferência pela próclise (pronome antes do verbo) em contextos informais e em início de frases com certas palavras atrativas (como negativas ou pronomes indefinidos) torna a ênclise menos frequente no discurso falado. No entanto, 'concedeu-lhe' permanece correto e comum na escrita formal e literária.
Do latim 'concedere', significando dar, permitir, outorgar.