considerava-se
Derivado do latim 'considerare'.
Origem
Deriva do verbo latino 'considerare', que significa 'observar atentamente', 'examinar', 'refletir', 'ponderar'. O verbo evoluiu para o português, e a forma 'considerava-se' é a junção do verbo no pretérito imperfeito do indicativo ('considerava') com o pronome oblíquo átono 'se' em ênclise.
Mudanças de sentido
O sentido original de 'examinar' ou 'ponderar' se mantém. A principal mudança reside na sintaxe e na colocação pronominal, com a ênclise ('considerava-se') sendo a norma inicial.
O sentido do verbo 'considerar' permaneceu estável (pensar, ter em mente, julgar, estimar). A variação ocorre no uso e na preferência pela colocação pronominal (ênclise vs. próclise), com a ênclise ('considerava-se') sendo mais formal e a próclise ('se considerava') mais informal no Brasil.
A forma 'considerava-se' é frequentemente encontrada em textos literários, documentos oficiais e artigos acadêmicos, onde a norma culta exige a ênclise. Em contrapartida, a fala coloquial brasileira tende a empregar 'se considerava', mesmo em situações que poderiam admitir a ênclise. Essa distinção marca o registro linguístico.
Primeiro registro
Registros da língua portuguesa arcaica já apresentam estruturas com o pronome 'se' em ênclise após verbos conjugados, como em 'considerava-se', em documentos como as Cantigas de Santa Maria (embora em galego-português) e outros textos medievais.
Momentos culturais
A forma 'considerava-se' era comum em narrativas literárias do Romantismo, expressando reflexões internas dos personagens. Exemplo: 'Ele se considerava um homem incompreendido.'
Em roteiros e diálogos de filmes que buscavam uma linguagem mais próxima da realidade brasileira, a alternância entre 'considerava-se' (mais formal) e 'se considerava' (mais coloquial) podia ser observada, dependendo do personagem e da situação.
Conflitos sociais
A distinção entre o uso da ênclise ('considerava-se') e da próclise ('se considerava') no português brasileiro é um ponto de atrito entre a norma culta e a fala popular. A preferência pela próclise no Brasil gera debates sobre 'erros' gramaticais, embora seja uma característica regional e socialmente marcada.
A gramática normativa, influenciada pela norma europeia, tende a valorizar a ênclise em contextos como o do pretérito imperfeito. No entanto, a variação linguística brasileira, com sua forte tendência à próclise, desafia essa visão prescritivista, mostrando que 'se considerava' é uma forma legítima e amplamente utilizada no país.
Vida digital
Em plataformas digitais, a forma 'considerava-se' aparece predominantemente em textos acadêmicos, artigos de opinião e posts de blogs que seguem uma linguagem mais formal. A busca por sinônimos ou formas mais diretas é comum para simplificar a comunicação online.
A forma 'se considerava' é muito mais provável de ser encontrada em redes sociais, fóruns e conversas informais online, refletindo a oralidade e a informalidade da comunicação digital brasileira. A ênclise ('considerava-se') pode soar pedante ou excessivamente formal em muitos desses contextos.
Comparações culturais
Inglês: A estrutura equivalente seria 'he/she/it was considering'. O pronome reflexivo ('himself/herself/itself') não é usado da mesma forma que o 'se' em português. Espanhol: A forma seria 'se consideraba', que utiliza a próclise ('se') antes do verbo, uma estrutura mais comum no espanhol para verbos reflexivos e pronominais. A ênclise como em 'consideraba-se' é rara e geralmente restrita a contextos muito específicos ou arcaicos. Francês: 'il/elle se considérait', onde o pronome reflexivo 'se' precede o verbo, similar ao espanhol e à tendência brasileira.
Origem Latina e Formação do Português
Século XII-XIII — O verbo 'considerar' tem origem no latim 'considerare', que significa 'observar atentamente', 'examinar', 'refletir'. A forma 'considerava-se' surge com a evolução do latim vulgar para o português arcaico, incorporando o pronome oblíquo átono 'se' em ênclise, uma característica comum na sintaxe da época.
Uso na Colônia e Império
Séculos XVI-XIX — A forma 'considerava-se' era amplamente utilizada na escrita formal e literária, refletindo a norma culta da época. O uso da ênclise ('considerava-se') era predominante em início de frase ou após vírgula, enquanto a próclise ('se considerava') era menos comum, reservada para contextos específicos.
Modernização e Mudanças Sintáticas
Século XX — Com a modernização da língua portuguesa e a influência de outras línguas (como o francês), a ordem das palavras e a colocação pronominal começam a se flexibilizar. A próclise ('se considerava') ganha mais espaço, especialmente no Brasil, embora a ênclise ('considerava-se') ainda seja mantida em contextos formais e literários.
Uso Contemporâneo no Brasil
Anos 2000 - Atualidade — No português brasileiro contemporâneo, 'considerava-se' é uma forma verbal que mantém seu uso em textos formais, acadêmicos e literários, denotando uma ação contínua ou habitual no passado. A ênclise é a colocação pronominal preferencial após verbos no pretérito imperfeito em tais contextos. No entanto, em contextos informais e na fala cotidiana, a próclise ('se considerava') é mais frequente, refletindo a tendência brasileira.
Derivado do latim 'considerare'.