Palavras

correr-risco

Combinação do verbo 'correr' com o substantivo 'risco'.

Origem

Latim Vulgar e Clássico

'Correr' deriva do latim 'currere', que significa mover-se rapidamente, ir adiante. 'Risco' tem origem no latim vulgar '*rescu', possivelmente relacionado a 'resca' (rocha, penhasco), sugerindo um perigo natural ou um obstáculo a ser transposto. A junção das duas palavras, 'correr risco', evoca a imagem de avançar em direção a um local perigoso ou a uma situação incerta.

Mudanças de sentido

Formação da Locução

A locução verbal 'correr risco' surge para descrever a ação de se colocar voluntariamente ou involuntariamente em uma situação de perigo ou incerteza. Inicialmente, o foco era na ação física de se aproximar de um perigo.

Séculos XVII-XVIII

O sentido se expande para abranger perigos não apenas físicos, mas também sociais, financeiros ou morais. A locução passa a ser usada em contextos mais abstratos.

Séculos XIX-XXI

O sentido se mantém, mas a conotação pode variar. Pode implicar audácia e coragem (correr riscos calculados) ou imprudência e negligência (correr riscos desnecessários). A locução é frequentemente usada em contextos de negócios, investimentos, esportes radicais e decisões de vida.

Em contextos modernos, 'correr risco' pode ser sinônimo de 'arriscar', 'aventurar-se', 'pôr em jogo', 'arriscar a sorte'. A nuance entre o risco positivo (oportunidade) e o risco negativo (perigo iminente) é definida pelo contexto e pela intenção do falante.

Primeiro registro

Século XVI

Registros em crônicas e relatos de viagens da época, descrevendo situações de perigo enfrentadas por exploradores e colonizadores. A locução já aparece de forma consolidada em textos como os de Pero Vaz de Caminha, embora a grafia possa variar.

Momentos culturais

Literatura Colonial e Imperial

Presente em obras que narram aventuras, naufrágios, batalhas e desafios da vida na colônia e no império, como em 'O Guarani' de José de Alencar, onde personagens frequentemente correm riscos em suas jornadas.

Música Popular Brasileira (MPB)

A locução é recorrente em letras de músicas que abordam temas de amor, superação, desafios e a vida boêmia, expressando a ousadia e a incerteza do cotidiano.

Cinema e Televisão

Frequentemente utilizada em diálogos de filmes, séries e novelas para descrever situações de perigo, dilemas morais ou decisões arriscadas tomadas pelos personagens.

Conflitos sociais

Contexto de Desigualdade

A locução pode ser usada para descrever como grupos sociais marginalizados ou em situação de vulnerabilidade frequentemente 'correm riscos' maiores em suas vidas cotidianas devido a fatores estruturais, como pobreza, violência e falta de acesso a direitos básicos. A decisão de 'correr risco' pode ser uma necessidade, não uma escolha.

Vida emocional

Percepção Geral

A locução evoca sentimentos de apreensão, medo, mas também de coragem, adrenalina e esperança. O peso emocional depende da natureza do risco e da perspectiva de quem o corre. Pode ser associada à imprudência ou à bravura.

Vida digital

Atualidade

A locução é amplamente utilizada em conteúdos online, especialmente em artigos sobre finanças, empreendedorismo, esportes radicais e desenvolvimento pessoal. Aparece em hashtags como #correriscos, #arriscar, #empreendedorismo. Em memes, pode ser usada de forma irônica para descrever situações cotidianas de pequeno ou grande risco.

Representações

Cinema e Televisão

Presente em cenas de ação, suspense, dramas e comédias, onde personagens tomam decisões que envolvem 'correr risco' para atingir seus objetivos, escapar de perigos ou resolver conflitos. Exemplos incluem filmes de aventura, thrillers e novelas com tramas de suspense.

Comparações culturais

Atualidade

Inglês: 'to take a risk', 'to run a risk', 'to face a risk'. Espanhol: 'correr un riesgo', 'arriesgarse'. Francês: 'courir un risque', 'prendre un risque'. Alemão: 'ein Risiko eingehen'. A ideia de 'correr risco' é universal, mas a formulação exata e as conotações podem variar sutilmente entre os idiomas, refletindo diferentes ênfases culturais na prudência versus a audácia.

Origem e Formação

Séculos XV-XVI — Formação da locução a partir dos verbos 'correr' (do latim currere, mover-se rapidamente) e 'risco' (do latim vulgar *rescu, rocha, perigo). A junção expressa a ideia de movimento em direção a algo perigoso.

Consolidação do Sentido

Séculos XVII-XVIII — O sentido de expor-se a um perigo se consolida na língua culta e popular, aparecendo em textos literários e jurídicos.

Uso Contemporâneo

Séculos XIX-XXI — A locução mantém seu sentido original, mas ganha nuances de audácia, imprudência ou estratégia, dependendo do contexto. Amplamente utilizada na mídia e no cotidiano.

correr-risco

Combinação do verbo 'correr' com o substantivo 'risco'.

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