dela-mesma
Combinação de 'de' (preposição) + 'ela' (pronome pessoal) + 'mesma' (pronome pessoal enfático).
Origem
Formada pela aglutinação da preposição 'de' (do latim 'de'), do pronome pessoal oblíquo átono 'a' (que evoluiu para 'ela', do latim 'illa') e do pronome demonstrativo intensificador 'mesma' (do latim 'metipsa', que significa 'ela mesma'). A construção 'de + pronome + mesma' é uma forma de reforço enfático.
Mudanças de sentido
Uso inicial como reforço enfático para pronomes femininos, indicando a própria pessoa sem intermediários.
Consolidada na norma culta como uma forma enfática e específica, muitas vezes para contrastar com terceiros ou para dar ênfase à autonomia da agente.
No português brasileiro, a ênfase é frequentemente obtida com 'ela mesma'. 'Dela mesma' é reservada para contextos onde a preposição 'de' é gramaticalmente exigida ou para um reforço mais formal e explícito da posse ou origem da ação/característica.
Primeiro registro
Registros em textos medievais em português, como as cantigas galego-portuguesas, já apresentam construções similares que indicam a formação da locução pronominal enfática.
Momentos culturais
Presente em obras da literatura clássica portuguesa e brasileira, como em textos de Camões, Padre Antônio Vieira e outros, onde a forma é utilizada para conferir clareza e ênfase discursiva.
Continua a ser utilizada em textos formais, acadêmicos e literários, embora em conversas informais a tendência seja o uso de 'ela mesma' ou mesmo a omissão do intensificador.
Comparações culturais
Inglês: A ênfase similar é frequentemente obtida com 'herself' (pronome reflexivo) ou com a adição de 'own' (ex: 'her own opinion'). Espanhol: 'ella misma' ou 'de ella misma' para reforçar a ideia, similar ao português. Francês: 'elle-même'. Italiano: 'lei stessa'.
Relevância atual
No português brasileiro contemporâneo, 'dela mesma' é uma construção enfática que, embora gramaticalmente correta, é menos comum no discurso oral informal em comparação com 'ela mesma'. Seu uso é mais frequente em textos escritos formais, acadêmicos ou em situações que exigem um reforço explícito da autonomia ou da origem da ação/característica, como em 'a decisão partiu dela mesma'.
Formação e Uso Medieval
Séculos XII-XIII — Formação a partir da junção de 'ela' (pronome pessoal) com 'mesma' (pronome demonstrativo intensificador), ambos com origens latinas ('illa' e 'metipsa', respectivamente). O uso de pronomes oblíquos tônicos com preposições e intensificadores já era comum no latim vulgar e se manteve no português arcaico.
Consolidação na Norma Clássica
Séculos XVI-XVIII — A forma 'dela mesma' (e suas variantes como 'dele mesmo') se consolida na gramática normativa, sendo utilizada em textos literários e formais para reforçar a ideia de que a ação ou estado se refere à própria pessoa, sem interferência externa ou de terceiros. É uma construção enfática.
Uso Contemporâneo e Variações
Séculos XIX-Atualidade — Mantém seu uso formal e enfático. No português brasileiro, a construção 'dela mesma' é menos frequente em contextos informais do que a forma 'ela mesma', que cumpre função similar de ênfase. A forma 'dela mesma' tende a soar mais formal ou a ser usada em construções específicas onde a preposição 'de' é semanticamente necessária (ex: 'a opinião dela mesma').
Combinação de 'de' (preposição) + 'ela' (pronome pessoal) + 'mesma' (pronome pessoal enfático).